Menina de 12 anos foi trazida pela mãe à Emergência por dor articular e cansaço. Relatou a ocorrência de dor sequencial no joelho direito, tornozelo esquerdo, tornozelo direito, cotovelo esquerdo e punhos bilateralmente na última semana e de dispneia há 2 dias. Descreveu episódio de “dor de garganta” há 3 semanas. Ao exame físico, encontrava-se febril (38,5o C), com artrite nos sítios referidos, rash no tronco com margens eritematosas circulares e centro pálido e sopro sistólico em foco mitral com irradiação axilar.
Pegadinha central: semanas após a faringite, sorologia antiestreptocócica é mais útil que cultura.
Febre reumática: artrite migratória + cardite + eritema marginado são manifestações maiores clássicas.
ASLO e anti-DNase B demonstram infecção estreptocócica precedente, não atividade cardíaca.
Cilindro hemático lembra glomerulonefrite, não febre reumática.
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Contexto
O quadro é típico de febre reumática aguda após faringite por estreptococo do grupo A. A paciente apresenta poliartrite migratória, eritema marginado e cardite clínica, sugerida por novo sopro sistólico mitral com irradiação para a axila, compatível com insuficiência mitral.
Pelos critérios de Jones revisados pela American Heart Association, o diagnóstico de um primeiro episódio exige evidência de infecção estreptocócica precedente associada a combinação apropriada de critérios maiores e menores. Poliartrite migratória, cardite e eritema marginado são manifestações maiores em populações de baixo risco.
Como a faringite ocorreu há 3 semanas, a cultura de orofaringe pode já estar negativa. Os títulos de anticorpos antiestreptocócicos, especialmente antiestreptolisina O e anti-DNase B, permanecem elevados por mais tempo e são mais úteis nessa fase para documentar infecção anterior.
O rim não é órgão-alvo típico da febre reumática. Proteinúria e cilindros hemáticos sugerem glomerulonefrite pós-estreptocócica ou outra doença renal. Da mesma forma, FAN, fator reumatoide e hipocomplementemia direcionam o raciocínio para outras doenças autoimunes, não para febre reumática clássica.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Linfadenomegalia, hepatoesplenomegalia e transaminases elevadas não formam critérios diagnósticos de febre reumática. FAN negativo também não confirma a doença.
B) Correta (gabarito). Três semanas após a faringite, a cultura já pode ter negativado, enquanto ASLO e anti-DNase B permanecem úteis para demonstrar resposta imune a infecção estreptocócica precedente.
C) Incorreta. Proteinúria e cilindros hemáticos sugerem glomerulonefrite, não febre reumática. Além disso, a artrite reumática costuma apresentar resposta rápida e marcante aos anti-inflamatórios.
D) Incorreta. FAN e fator reumatoide reagentes com consumo de complemento sugerem outra doença reumatológica. Avaliação oftalmológica é especialmente lembrada em artrite idiopática juvenil por risco de uveíte, não como conduta definidora deste quadro.