Paciente feminina, de 40 anos, veio à consulta por ter sido identificado, durante avaliação clínica de rotina, nódulo de tireoide. Não apresentava história prévia de doença tireoidiana ou exposição à radiação.
Pegadinha central: nódulo tireoidiano não começa com agulha: começa com TSH + ultrassom.
TSH baixo pede cintilografia antes de pensar em PAAF.
Cisto puro é padrão benigno e não tem indicação rotineira de PAAF diagnóstica.
Não suprima TSH de rotina para encolher nódulo benigno.
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Contexto
Nódulos tireoidianos são extremamente comuns. Estudos com ultrassonografia de alta resolução encontram nódulos em até aproximadamente metade ou mais dos adultos examinados, especialmente mulheres e pessoas mais velhas, e grande parte são pequenos e clinicamente irrelevantes. A American Thyroid Association cita prevalência ultrassonográfica muito superior à palpação, com cerca de 95% dos nódulos sendo benignos.
A avaliação inicial não começa pela biópsia. Ela combina TSH sérico e ultrassonografia cervical. Se o TSH estiver baixo, deve-se avaliar se o nódulo é hiperfuncionante por cintilografia, porque nódulos autonomamente hiperfuncionantes raramente são malignos e geralmente não precisam de PAAF com base apenas no tamanho.
A diretriz de nódulos da ATA de 2015 continua listada pela própria associação como referência específica para nódulos tireoidianos em adultos. Ela classifica nódulo puramente cístico como padrão benigno, com risco de malignidade muito baixo, e recomenda não realizar PAAF diagnóstica. Aspiração pode ser feita apenas para alívio de sintomas compressivos ou desconforto.
Terapia supressiva com levotiroxina para reduzir TSH não é recomendada rotineiramente em nódulos benignos de populações com ingestão adequada de iodo, porque a redução volumétrica é pequena e os riscos de hipertireoidismo subclínico, arritmia e perda óssea superam o benefício.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Nódulos ultrassonográficos são muito frequentes em mulheres e muitos são subcentimétricos. O objetivo clínico não é biopsiar todos, mas identificar os poucos com características de maior risco.
B) Incorreta. PAAF não é o primeiro passo universal. Primeiro se dosa TSH e se realiza ultrassonografia para definir risco e tamanho; somente então se decide pela biópsia.
C) Incorreta. Supressão de TSH com levotiroxina não é recomendada rotineiramente para nódulo benigno em população suficiente em iodo, porque o benefício é pequeno e os efeitos adversos podem ser relevantes.
D) Incorreta. Nódulo puramente cístico tem risco de malignidade extremamente baixo e não deve ser biopsiado apenas porque mede mais de 1 cm. Aspiração pode ser terapêutica se houver sintomas.