Pegadinha central: tirzepatida pode chegar perto de 20% de perda de peso.
Obesidade é doença crônica: interromper medicamento frequentemente leva a reganho.
Semaglutida e tirzepatida estão entre as farmacoterapias de maior eficácia ponderal atuais.
SELECT mudou a prova: GLP-1 já tem evidência de redução de eventos cardiovasculares em obesidade sem diabetes.
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Contexto
Obesidade é uma doença crônica e recidivante, e seu tratamento moderno combina intervenção comportamental, farmacoterapia quando indicada e cirurgia metabólica em pacientes selecionados. Ensaios clínicos recentes modificaram profundamente a magnitude de perda ponderal esperada com medicamentos incretínicos.
A tirzepatida é um agonista duplo dos receptores de GIP e GLP-1. No estudo SURMOUNT-1, publicado em 2022, a dose de 15 mg semanal produziu perda média de peso de aproximadamente 20,9% em 72 semanas em adultos com obesidade ou sobrepeso sem diabetes. Estudos posteriores confirmaram perdas próximas de 20% em várias populações.
Os Standards of Care da ADA de 2026 tratam farmacoterapia antiobesidade como tratamento de longo prazo quando eficaz e tolerada. Suspensão de semaglutida ou tirzepatida frequentemente leva a reganho importante, reforçando que não se trata de uma terapia limitada por definição a 6 ou 12 meses.
A alternativa D também ficou desatualizada. O estudo SELECT demonstrou que semaglutida 2,4 mg reduziu eventos cardiovasculares maiores em pessoas com sobrepeso ou obesidade e doença cardiovascular estabelecida, sem diabetes. Houve também menor mortalidade por todas as causas no grupo semaglutida, embora a análise hierárquica do estudo imponha cautela na interpretação formal desse desfecho.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Mudanças de estilo de vida são essenciais, mas a manutenção de grandes perdas de peso exclusivamente com intervenção comportamental é difícil e o reganho ao longo do tempo é frequente.
B) Incorreta. Farmacoterapia da obesidade não deve ser concebida como tratamento temporário de 6 a 12 meses. Quando há benefício e tolerabilidade, pode ser mantida cronicamente.
C) Correta (gabarito). Tirzepatida, agonista duplo GIP/GLP-1, alcançou perda média em torno de 20% nas doses mais altas em ensaios clínicos, valor que corresponde ao que a questão cobra.
D) Incorreta. Já existe evidência de benefício cardiovascular com agonista de GLP-1 em obesidade sem diabetes, e o SELECT mostrou também sinal consistente de redução de mortalidade por todas as causas. Portanto, a afirmação de ausência de evidência de benefício em mortalidade é excessivamente absoluta hoje.