Pegadinha central: câncer de endométrio não tem rastreamento populacional por ultrassom.
AUB ≥45 anos é indicação clássica de amostragem endometrial.
Célula endometrial no Papanicolau de pós-menopáusica pede avaliação do endométrio.
Ovário: seroso de alto grau é o mais comum; BRCA1 traz risco ovariano maior que BRCA2.
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Contexto
Não existe rastreamento populacional rotineiro de câncer de endométrio por ultrassonografia transvaginal em mulheres assintomáticas de risco habitual. O câncer endometrial costuma se manifestar com sangramento uterino anormal, e é esse sintoma, associado à idade e aos fatores de risco, que determina investigação.
Em mulheres pré-menopáusicas com sangramento uterino anormal, a indicação de biópsia é mais precisa do que a redação ampla da alternativa: recomenda-se amostragem endometrial de rotina em mulheres com 45 anos ou mais e, nas mais jovens, quando há exposição estrogênica sem oposição, fatores de risco, sangramento persistente ou falha do tratamento clínico. Portanto, nem toda mulher jovem com fluxo abundante precisa automaticamente de biópsia.
Por outro lado, as diretrizes da ASCCP recomendam avaliação endometrial quando células endometriais benignas são encontradas na citologia de paciente pós-menopáusica, mesmo que assintomática.
No ovário, o subtipo mais comum é o carcinoma seroso de alto grau, responsável por cerca de 70% dos carcinomas ovarianos e frequentemente relacionado a lesões precursoras STIC nas fímbrias tubárias. O seroso de baixo grau é bem menos frequente e tem biologia distinta.
Mutações germinativas em BRCA1 e BRCA2 aumentam o risco de câncer de ovário, porém o risco ovariano é maior no BRCA1. Estimativas do NCI apontam risco cumulativo em torno de 39% para BRCA1 e aproximadamente 11-17% para BRCA2 até 70 anos.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Mulheres assintomáticas de risco habitual não devem ser rastreadas para câncer de endométrio por medida seriada da espessura endometrial.
B) Correta (gabarito). A presença de células endometriais em mulher pós-menopáusica indica avaliação endometrial, e sangramento uterino anormal na pré-menopausa pode indicar biópsia. A ressalva atual é que a indicação pré-menopáusica depende de idade, persistência e fatores de risco, não apenas da existência de qualquer sangramento abundante ou irregular.
C) Incorreta. O carcinoma seroso de alto grau é o subtipo mais frequente e está ligado a lesões STIC nas fímbrias. O seroso de baixo grau é menos comum e não corresponde à descrição.
D) Incorreta. BRCA1 e BRCA2 aumentam o risco, mas BRCA1 confere risco ovariano maior do que BRCA2.