Paciente masculino, de 65 anos, procurou atendimento médico por dor epigástrica em queimação, com intensidade moderada, irradiada para o dorso, com alívio após as refeições. Apresentou episódios de despertar noturno pela dor. Referiu uso frequente de ibuprofeno e nimesulida por osteoartrose de quadril. Negou a ocorrência de pirose, disfagia, emagrecimento, hematêmese ou melena. Exames recentes não indicaram anemia.
Pegadinha central: dispepsia nova aos 65 anos pede endoscopia.
AINE + úlcera = suspenda o agressor se possível e use IBP.
Toda úlcera merece pensar em H. pylori; se positivo, erradique.
Dor que melhora com comida não localiza a úlcera com precisão suficiente para substituir endoscopia.
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Contexto
O quadro favorece doença ulcerosa péptica: dor epigástrica em queimação, despertar noturno e uso frequente de AINE. Embora melhora após alimentação seja tradicionalmente associada a úlcera duodenal, o padrão de dor isolado não localiza com segurança a úlcera, e o uso crônico de ibuprofeno e nimesulida aumenta fortemente o risco de lesão gastroduodenal.
Em paciente de 65 anos com dispepsia nova, está indicada endoscopia digestiva alta. A diretriz ACG/CAG de dispepsia utiliza 60 anos como limiar para endoscopia em pacientes com sintomas dispépticos, mesmo sem anemia, emagrecimento ou sangramento.
A endoscopia permite identificar úlcera, avaliar esôfago e duodeno, pesquisar Helicobacter pylori e biopsiar úlcera gástrica quando necessário para excluir malignidade. A Diretriz ACG de H. pylori de 2024 mantém doença ulcerosa péptica como indicação importante para investigação da bactéria.
Quando o AINE é o agente causal e pode ser suspenso, um inibidor da bomba de prótons por cerca de 8 semanas é esquema clássico para cicatrização de úlcera gástrica. Se o AINE for indispensável, deve-se reduzir risco com menor dose possível, escolha de agente apropriado e gastroproteção contínua.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O quadro não tem pirose ou regurgitação e é mais compatível com úlcera péptica. Além disso, antiácido sob demanda é insuficiente para tratar úlcera relacionada a AINE.
B) Incorreta. Suspender AINE e usar IBP por 8 semanas é uma estratégia adequada para úlcera, mas a alternativa erra ao atribuir o quadro a DRGE com esofagite erosiva.
C) Incorreta. O diagnóstico de úlcera deve ser investigado por endoscopia em um paciente de 65 anos. Estudo contrastado perdeu espaço como exame inicial. Também não se trata H. pylori se a pesquisa for negativa.
D) Correta (gabarito). A combinação de úlcera péptica, endoscopia com pesquisa de H. pylori e, se a úlcera por AINE for H. pylori negativa, suspensão do AINE mais IBP por 8 semanas é a conduta mais apropriada.