Complicações agudas do diabetes

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Questão 67
HCPA · 2025

Paciente masculino, de 21 anos, procurou, às 20 horas, o médico voluntário do abrigo em que se encontrava após a enchente em Porto Alegre, queixando-se de cansaço, mal-estar, náuseas e 2 episódios de vômito. Informou que teve diagnóstico de diabetes melito confirmado há 1 ano, que trouxera ao abrigo suas canetas de insulina (com prescrição de insulina glargina 24 UI antes do café e lispro conforme contagem de carboidratos), mas que esqueceu de aplicar algumas doses. Referiu ter peso de 62 kg e altura de 178 cm. Ao exame, encontrava-se em regular estado geral, corado, desidratado, com pressão arterial de 102/68 mmHg, frequência cardíaca de 110 bpm, frequência respiratória de 28 mpm e glicemia capilar de 490 mg/dl. Demais aspectos do exame físico não revelaram alterações.

Qual a conduta mais adequada no momento?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Jovem com diabetes insulinodependente, omissão de doses, glicemia capilar de 490 mg/dL, desidratação, taquicardia, taquipneia, náuseas e vômitos deve ser considerado com cetoacidose diabética até prova em contrário. O quadro não pode ser manejado apenas como uma hiperglicemia isolada em um abrigo.

O consenso internacional sobre crises hiperglicêmicas de 2024 define DKA pela combinação de três componentes: diabetes/hiperglicemia, cetose e acidose metabólica. A confirmação exige exames que não estão disponíveis no cenário descrito.

O tratamento exige reposição volêmica, avaliação imediata de potássio, eletrólitos, gasometria, cetonas, função renal e busca do fator precipitante. Insulina intravenosa só deve ser iniciada com monitorização adequada e após conhecer o potássio, porque a insulinoterapia pode precipitar hipopotassemia grave.

Em casos selecionados de DKA leve ou moderada, análogos rápidos subcutâneos podem ser usados em ambiente hospitalar estruturado, com controle laboratorial frequente. Isso não transforma uma dose isolada de lispro em conduta segura no abrigo.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Dez unidades de insulina regular subcutânea poderiam reduzir a glicemia sem corrigir acidose, hipovolemia ou distúrbio de potássio. Mandar o paciente retomar o esquema apenas no dia seguinte é perigoso.

B) Incorreta. Aplicar lispro e reavaliar apenas a glicemia em 4 horas ignora a possibilidade de acidose, cetose e hipopotassemia. O paciente precisa de avaliação emergencial completa.

C) Incorreta. Insulina intravenosa não deve ser administrada em abrigo sem dosagem de potássio, reposição volêmica e monitorização. Além disso, o tratamento de DKA utiliza protocolos contínuos, não uma dose isolada sem suporte laboratorial.

D) Correta (gabarito). O quadro é altamente sugestivo de cetoacidose diabética e exige transporte imediato pelo SAMU para serviço de emergência capaz de confirmar o diagnóstico e realizar tratamento monitorizado.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: hiperglicemia + vômitos + desidratação + taquipneia em DM1 = DKA até prova em contrário.

  • Antes de insulinizar DKA, descubra o potássio e inicie reposição volêmica.

  • Glicemia sozinha não acompanha resolução: é preciso seguir cetose e acidose.

  • Ambiente sem gasometria, eletrólitos e monitorização não é local para tratar DKA.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Complicações agudas do diabetes” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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