Transtornos de ansiedade

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Questão 78
HCPA · 2025

Paciente feminina, de 30 anos, buscou atendimento na UBS, acompanhada pelo marido, por vir apresentando insônia, irritabilidade, anedonia e choro fácil. Relatou que não conseguia sair sozinha e vinha tendo crises de ansiedade frequentes, especialmente à noite, antes de deitar-se, sintomas iniciados há 10 dias, logo após ter sido resgatada numa estrada em razão de sua casa situar-se em região totalmente alagada pelas chuvas. Referiu ter ficado 3 dias abrigada em uma escola e, há 1 semana, ter ido morar com a sogra, por não conseguir retornar para sua casa por medo.

Que conduta, dentre as abaixo, o médico da UBS deve priorizar?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Os sintomas começaram 10 dias após uma experiência traumática extrema, com ansiedade, insônia, irritabilidade, anedonia, choro, esquiva e perda de autonomia. Nesse período, a prioridade na Atenção Primária é tratar o sofrimento agudo com acolhimento, segurança, suporte prático e fortalecimento da rede social, e não transformar imediatamente a reação em um transtorno crônico.

O transtorno de estresse pós-traumático exige persistência dos sintomas por mais de 1 mês. Entre 3 dias e 1 mês após o trauma, quando há sintomas suficientes e prejuízo funcional, pode-se considerar transtorno de estresse agudo. Nem toda pessoa sintomática, porém, preencherá todos os critérios formais, e a primeira consulta não precisa começar por uma rotulação diagnóstica.

A Organização Mundial da Saúde recomenda apoio baseado em princípios de primeiros cuidados psicológicos para pessoas em sofrimento após trauma. Isso inclui escuta empática sem pressionar o relato, avaliação de necessidades concretas, segurança, suporte familiar e social e acompanhamento.

A OMS também recomenda não oferecer benzodiazepínicos rotineiramente para sintomas de estresse traumático ou distúrbio do sono no primeiro mês após o evento. Esses fármacos podem causar sedação, tolerância, dependência e não previnem TEPT.

A avaliação deve incluir pergunta direta sobre pensamentos de morte, autoagressão e suicídio quando clinicamente indicada. Perguntar sobre suicídio não induz a pessoa a tentar suicídio e pode identificar risco que precisa de intervenção urgente.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). Suporte familiar e social, escuta empática e apoio psicológico são prioridades no sofrimento pós-traumático recente. Benzodiazepínicos não devem ser prescritos rotineiramente para insônia ou irritabilidade nesse contexto.

B) Incorreta. Não se deve obrigar a paciente a narrar a experiência traumática. Debriefing forçado pode ser prejudicial, e benzodiazepínicos de rotina não são recomendados.

C) Incorreta. O caso não informa ideação suicida. Deve-se perguntar diretamente quando houver suspeita, pois essa investigação não aumenta o risco de suicídio. Encaminhamento emergencial depende da presença de risco agudo, não de presunção automática.

D) Incorreta. Com apenas 10 dias de evolução ainda não se estabelece TEPT, que requer duração superior a 1 mês. Antidepressivo não é a prioridade automática no sofrimento traumático agudo.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: 10 dias após o trauma ainda não é TEPT.

  • Primeira linha imediata: segurança, acolhimento, suporte prático e rede social.

  • Não force a pessoa a reviver ou narrar o trauma.

  • Perguntar sobre suicídio é correto e não induz comportamento suicida.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Transtornos de ansiedade” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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