Paciente feminina, de 75 anos, foi trazida à consulta pela equipe da instituição de longa permanência onde residia por estar apresentando perda involuntária de urina e aumento da frequência miccional nas últimas 2 semanas. Relatou que “escapes de urina” (mais de 3 vezes/dia) vinham ocorrendo nesse período. Não havia registros de incontinência urinária. Referiu estar mais cansada do que o normal nas últimas semanas. Negou uso de medicamentos e informou fazer uso de multivitamínicos há 6 meses. Os sinais vitais estavam normais. O abdômen era inocente, exceto por leve desconforto à palpação da região infraumbilical. A punho-percussão lombar foi negativa.
Pegadinha central: incontinência nova no idoso não deve ser rotulada imediatamente como bexiga hiperativa.
Urinálise faz parte da avaliação inicial de urgência urinária.
Cultura positiva sem sintomas pode representar bacteriúria assintomática; interprete sempre com a clínica.
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Contexto
Incontinência e aumento de frequência urinária com início há apenas 2 semanas em uma idosa previamente continente exigem investigação de causas reversíveis antes de se concluir por bexiga hiperativa crônica. Infecção urinária é uma das principais possibilidades quando há frequência nova e desconforto suprapúbico.
A diretriz AUA/SUFU de bexiga hiperativa de 2024 recomenda urinálise na avaliação inicial para excluir infecção e hematúria. Em paciente sintomática com suspeita de infecção, a urocultura ajuda a documentar o agente e orientar tratamento, especialmente em idosa institucionalizada, população com maior probabilidade de bacteriúria e resistência.
Em residentes de instituições de longa permanência, bacteriúria assintomática é frequente. Por isso, cultura positiva isolada não basta para diagnosticar infecção. Neste caso, porém, há sintomas urinários novos, o que torna a investigação apropriada.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). EQU e urocultura avaliam infecção urinária como causa reversível dos sintomas recentes e devem preceder tratamento de bexiga hiperativa.
B) Incorreta. Urodinâmica não é exame inicial para urgência e incontinência de início recente. É reservada a situações selecionadas de dúvida diagnóstica ou casos complexos.
C) Incorreta. Estrógeno vaginal pode ser útil na síndrome geniturinária da menopausa e em prevenção de ITU recorrente selecionada, mas não substitui a investigação de sintomas agudos atuais.
D) Incorreta. Oxibutinina trata bexiga hiperativa, mas iniciar anticolinérgico antes de excluir infecção é inadequado e ainda aumenta carga anticolinérgica em paciente idosa.