Primigesta com 30 semanas de gestação, sem histórico de epilepsia, veio à UPA queixando-se de cefaleia e visão turva. À avaliação inicial, a pressão arterial era de 160/110 mmHg. Enquanto a enfermeira chamava o médico, a paciente teve uma convulsão tônico-clônica. Imediatamente recebeu 4,0 g de sulfato de magnésio intravenoso para tratamento de eclâmpsia, e o quadro foi estabilizado. Após 15 minutos, novo episódio convulsivo ocorreu.
Pegadinha central: eclâmpsia que convulsiona de novo após ataque = mais magnésio, 2 g IV.
Magnésio é superior a diazepam e fenitoína para prevenir recorrência eclâmptica.
Vigie reflexos, respiração e diurese durante o tratamento.
Toxicidade por magnésio grave: gluconato de cálcio é o antídoto.
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Contexto
A paciente tem eclâmpsia: convulsão tônico-clônica em gestante com hipertensão grave e sintomas neurológicos compatíveis com pré-eclâmpsia. O sulfato de magnésio é o anticonvulsivante de escolha para tratar e prevenir recorrência de crises eclâmpticas.
Após a dose de ataque de 4 g intravenosos, uma nova convulsão 15 minutos depois não indica troca imediata para benzodiazepínico, fenitoína ou fenobarbital. Recomendações obstétricas da Organização Mundial da Saúde orientam dose adicional de 2 g de sulfato de magnésio intravenoso administrada lentamente quando a convulsão recorre.
Paralelamente, devem ser garantidas via aérea, oxigenação, proteção contra trauma, controle da hipertensão grave e avaliação materno-fetal. Após estabilização materna, a eclâmpsia é indicação de resolução da gestação, mas a via de parto depende das condições obstétricas e não é automaticamente cesariana.
Antes de doses adicionais ou durante manutenção, é necessário vigiar sinais de toxicidade pelo magnésio, especialmente frequência respiratória, reflexos patelares e diurese. O antídoto para toxicidade grave é gluconato de cálcio intravenoso.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Diazepam pode ser usado em convulsão refratária ou quando magnésio está indisponível ou contraindicado, mas não é a primeira medida diante de recorrência eclâmptica após uma dose de ataque.
B) Incorreta. Fenitoína não supera o sulfato de magnésio na prevenção de recorrência da eclâmpsia e não é o reforço inicial recomendado nessa situação.
C) Correta (gabarito). Recorrência convulsiva após a dose de ataque deve ser tratada com dose adicional de 2 g de sulfato de magnésio IV, seguida de manutenção e vigilância de toxicidade.
D) Incorreta. Fenobarbital não é o anticonvulsivante de primeira escolha para eclâmpsia. Seu uso ficaria restrito a situações excepcionais ou refratárias.