Menino de 12 anos apresentou quadro de dor testicular aguda à esquerda de grande intensidade com 5 horas de evolução, não associado a trauma, tendo sido encaminhado à Emergência. Após avaliação inicial, o cirurgião plantonista solicitou ultrassonografia com Doppler, porém esse exame em caráter de urgência não está disponível no hospital.
Pegadinha central: suspeita alta de torção não espera Doppler.
As primeiras 4-6 horas são a janela de maior salvamento testicular.
Na exploração, fixe também o testículo contralateral pela predisposição anatômica bilateral.
Orquiectomia só entra quando o testículo permanece inviável após destorção e avaliação intraoperatória.
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Contexto
Dor testicular súbita, intensa e espontânea em menino de 12 anos deve ser considerada torção testicular até prova em contrário. A torção do cordão espermático interrompe inicialmente o retorno venoso e depois o fluxo arterial, levando a isquemia e necrose progressivas.
O tempo é o principal determinante de salvamento. A viabilidade testicular é maior quando a destorção ocorre nas primeiras 4 a 6 horas e cai rapidamente depois disso. Com 5 horas de evolução, o paciente ainda está em janela crítica e qualquer atraso evitável pode transformar um testículo viável em inviável.
As diretrizes atuais da EAU em Urologia Pediátrica orientam que a ultrassonografia Doppler pode ajudar em casos de dúvida, mas não deve atrasar a exploração cirúrgica quando a suspeita clínica é alta. A ausência do exame no hospital, portanto, não é motivo para transferência apenas para confirmação diagnóstica.
Na cirurgia, realiza-se exploração escrotal, destorção e avaliação da viabilidade. Se o testículo recuperar perfusão, faz-se orquidopexia. O testículo contralateral também é fixado porque a deformidade em badalo de sino que predispõe à torção costuma ser bilateral. Orquiectomia é reservada para testículo claramente inviável.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Transferir o adolescente apenas para obter Doppler consumiria tempo precioso. Com alta suspeita clínica e 5 horas de evolução, deve-se explorar imediatamente no serviço capaz de operar.
B) Incorreta. Analgesia, antibiótico e suspensório são medidas compatíveis com epididimite em situações selecionadas, mas não tratam isquemia por torção.
C) Incorreta. Cintilografia atrasaria a destorção e não tem papel no quadro típico. Além disso, orquiectomia não é automática: o testículo deve ser preservado se recuperar viabilidade.
D) Correta (gabarito). A conduta é exploração cirúrgica imediata, destorção e orquidopexia do lado acometido se viável, com fixação contralateral no mesmo ato.