Patologias inguinoescrotais

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Questão 60
HCPA · 2025

Menino de 12 anos apresentou quadro de dor testicular aguda à esquerda de grande intensidade com 5 horas de evolução, não associado a trauma, tendo sido encaminhado à Emergência. Após avaliação inicial, o cirurgião plantonista solicitou ultrassonografia com Doppler, porém esse exame em caráter de urgência não está disponível no hospital.

Considerando o quadro clínico, qual a conduta mais adequada?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Dor testicular súbita, intensa e espontânea em menino de 12 anos deve ser considerada torção testicular até prova em contrário. A torção do cordão espermático interrompe inicialmente o retorno venoso e depois o fluxo arterial, levando a isquemia e necrose progressivas.

O tempo é o principal determinante de salvamento. A viabilidade testicular é maior quando a destorção ocorre nas primeiras 4 a 6 horas e cai rapidamente depois disso. Com 5 horas de evolução, o paciente ainda está em janela crítica e qualquer atraso evitável pode transformar um testículo viável em inviável.

As diretrizes atuais da EAU em Urologia Pediátrica orientam que a ultrassonografia Doppler pode ajudar em casos de dúvida, mas não deve atrasar a exploração cirúrgica quando a suspeita clínica é alta. A ausência do exame no hospital, portanto, não é motivo para transferência apenas para confirmação diagnóstica.

Na cirurgia, realiza-se exploração escrotal, destorção e avaliação da viabilidade. Se o testículo recuperar perfusão, faz-se orquidopexia. O testículo contralateral também é fixado porque a deformidade em badalo de sino que predispõe à torção costuma ser bilateral. Orquiectomia é reservada para testículo claramente inviável.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Transferir o adolescente apenas para obter Doppler consumiria tempo precioso. Com alta suspeita clínica e 5 horas de evolução, deve-se explorar imediatamente no serviço capaz de operar.

B) Incorreta. Analgesia, antibiótico e suspensório são medidas compatíveis com epididimite em situações selecionadas, mas não tratam isquemia por torção.

C) Incorreta. Cintilografia atrasaria a destorção e não tem papel no quadro típico. Além disso, orquiectomia não é automática: o testículo deve ser preservado se recuperar viabilidade.

D) Correta (gabarito). A conduta é exploração cirúrgica imediata, destorção e orquidopexia do lado acometido se viável, com fixação contralateral no mesmo ato.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: suspeita alta de torção não espera Doppler.

  • As primeiras 4-6 horas são a janela de maior salvamento testicular.

  • Na exploração, fixe também o testículo contralateral pela predisposição anatômica bilateral.

  • Orquiectomia só entra quando o testículo permanece inviável após destorção e avaliação intraoperatória.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Patologias inguinoescrotais” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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