Paciente masculino, de 45 anos, foi trazido à Emergência após ter sido exposto ao fogo direto no local de trabalho por aproximadamente 25 segundos. À admissão, apresentava queimaduras visíveis em cerca de 30% da superfície corporal, predominantemente em braços, tórax e face, frequência cardíaca de 126 bpm, pressão arterial de 95/55 mmHg, frequência respiratória de 28 mpm e saturação de oxigênio de 89%. As vias aéreas estavam comprometidas, com sinais de inalação de fumaça. Foi imediatamente entubado para proteção das vias aéreas.
Pegadinha central: grande queimado = ABC primeiro; depois da via aérea, trate o choque.
ABA 2024: em adulto ≥20% SCQ, estimativa inicial de 2 mL/kg/%SCQ, ajustando pela resposta.
Não confunda ressuscitação adequada com excesso de volume: fluid creep também causa complicações.
Antibiótico profilático sistêmico e desbridamento não vêm antes da estabilização hemodinâmica.
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Contexto
O paciente tem queimadura extensa, com aproximadamente 30% da superfície corporal queimada, associada a lesão inalatória e sinais de choque. A via aérea já foi protegida por intubação, que era prioritária diante de comprometimento respiratório e exposição à fumaça. O próximo eixo é restaurar a perfusão.
Queimaduras extensas provocam aumento sistêmico da permeabilidade capilar, extravasamento de plasma para o interstício e queda do volume intravascular efetivo. Adultos com queimaduras de pelo menos 20% da superfície corporal necessitam de ressuscitação volêmica formal.
A American Burn Association Clinical Practice Guideline on Burn Shock Resuscitation de 2024 recomenda iniciar a estimativa de volume com aproximadamente 2 mL/kg por percentual de superfície corporal queimada em adultos com queimaduras ≥20%, visando reduzir o excesso de fluidos. O cristaloide preferido é usualmente Ringer lactato, e o volume calculado é apenas um ponto de partida.
A palavra agressiva da alternativa deve ser entendida como ressuscitação imediata e adequada, não como administração indiscriminada. Excesso de volume causa edema pulmonar, síndrome compartimental abdominal e piora de edema de vias aéreas.
Antibiótico profilático sistêmico de rotina não previne infecção do grande queimado e não é prioridade inicial. Desbridamento e transferência para unidade especializada são importantes, mas devem ocorrer depois ou em paralelo à estabilização inicial.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Antibiótico intravenoso profilático sistêmico não é medida inicial rotineira apenas pela extensão da queimadura. Deve ser reservado para infecção documentada ou suspeita específica.
B) Incorreta. Desbridamento é parte do cuidado da ferida, mas não precede estabilização de via aérea, ventilação e circulação em paciente com choque.
C) Correta (gabarito). Após a via aérea ter sido protegida, uma queimadura de 30% da superfície corporal com hipotensão e taquicardia exige ressuscitação volêmica intravenosa imediata com cristaloide, titulada à resposta fisiológica.
D) Incorreta. A transferência para centro de queimados é apropriada, mas o paciente deve receber as medidas de estabilização que salvam vida antes e durante o transporte.