Paciente feminina, de 23 anos, veio à Emergência na manhã de hoje em busca de orientação considerando o ocorrido há 2 dias. Relatou ter ido a uma festa com amigas, mas não recordava o que havia acontecido, a não ser que acordara, na manhã seguinte, sem roupas ao lado de um homem desconhecido. Assustada, foi embora para casa, onde se manteve escondida e em profundo sofrimento, sem compartilhar com ninguém a situação.
Pegadinha central: 48 horas ainda está dentro da janela da PEP; o limite é 72 horas.
PEP para HIV dura 28 dias.
Contracepção de emergência pode ser oferecida até 120 horas conforme o método.
Atendimento não exige BO; notificação sanitária da violência é compulsória em 24 horas.
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Contexto
O caso deve ser tratado como suspeita de violência sexual possivelmente facilitada por substância. A ausência de memória não reduz a necessidade de cuidado e não exige que a paciente consiga reconstruir o evento para receber profilaxias. O atendimento é uma urgência em saúde e deve ser acolhedor, sigiloso, não julgador e centrado nas escolhas da paciente.
O Guia Prático de Cuidado à Mulher em Situação de Violência do Ministério da Saúde de 2025 e o PCDT de Profilaxia Pós-Exposição orientam que a PEP para HIV seja iniciada o mais rapidamente possível, com limite de 72 horas após a exposição, e mantida por 28 dias. Como o evento ocorreu há cerca de 48 horas, a janela está aberta.
O Ministério da Saúde também atualizou em 2025 os esquemas de profilaxia para IST não virais em violência sexual, incluindo prevenção de sífilis, gonorreia, clamídia e tricomoníase conforme protocolo e características da paciente. Vacinação para HPV e hepatite B deve ser revisada.
O atendimento não depende de boletim de ocorrência nem de exame prévio no Instituto Médico Legal. A coleta de vestígios pode ser oferecida em serviço habilitado, com consentimento da paciente, sem atrasar profilaxias. Apoio psicológico, social e seguimento longitudinal fazem parte do cuidado.
A contracepção de emergência também permanece indicada dois dias após o evento. Levonorgestrel e DIU de cobre são opções possíveis dentro de até 120 horas em situações apropriadas, com decisão compartilhada.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O serviço de saúde não deve mandar a paciente primeiro à delegacia ou ao DML e adiar o cuidado. Atendimento clínico, profilaxias, contracepção e acolhimento devem ser oferecidos imediatamente, independentemente de boletim de ocorrência.
B) Incorreta. A PEP para HIV não perde indicação após 48 horas. O limite é 72 horas e, quanto mais cedo for iniciada, maior a chance de benefício.
C) Correta (gabarito). Aos dois dias do evento, ainda há indicação de profilaxia para IST conforme protocolo, contracepção de emergência e PEP para HIV por 28 dias. A avaliação psicossocial e o seguimento multidisciplinar também são componentes do atendimento integral.
D) Incorreta. A notificação da violência sexual é compulsória para o serviço de saúde e deve ocorrer em até 24 horas. Ela não fica condicionada à vontade da paciente, embora o sigilo e a proteção de seus dados devam ser preservados.