Lactente de 18 meses, previamente hígida, com episódios recorrentes de otite média aguda (OMA), foi trazida à consulta em razão de novo episódio, o quarto neste ano. A família era cuidadosa quanto à diminuição dos fatores de risco para OMA (não fumar perto da criança, não dar mamadeira em decúbito e não ofertar chupetas). As vacinas estavam em dia. Após discussão com a família sobre o impacto negativo dos episódios recorrentes na saúde global da criança, recomendou-se a colocação de tubos de ventilação.
Pegadinha central: OMA recorrente = 3 em 6 meses ou 4 em 12 meses, com 1 nos últimos 6 meses.
AAO-HNSF 2022: OMA recorrente sem efusão no dia da avaliação não é indicação rotineira de tubo.
Com efusão presente, tubos podem ser oferecidos e facilitam o tratamento de futuras otites com terapia tópica.
Melhora auditiva é o alvo mais típico da otite média com efusão persistente, não da OMA recorrente isolada.
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Contexto
A criança preenche critério clássico de otite média aguda recorrente: pelo menos 3 episódios em 6 meses ou 4 em 12 meses, com pelo menos 1 episódio nos últimos 6 meses. O enunciado informa que este é o quarto episódio no ano e que, após discussão com a família, foi recomendada timpanostomia com tubo de ventilação.
A intenção terapêutica direta dessa estratégia, no contexto de OMA recorrente, é reduzir a carga de novos episódios de otite e facilitar o manejo das recorrências. Quando ocorre nova OMA com tubo pérvio, a infecção pode manifestar-se como otorreia e muitas vezes ser tratada com gotas otológicas, evitando antibiótico sistêmico.
Há uma atualização importante. A Diretriz AAO-HNSF de Tubos de Timpanostomia em Crianças, atualizada em 2022, recomenda não colocar tubos em OMA recorrente quando não há efusão de orelha média no momento da avaliação. Deve-se oferecer tubos quando a criança tem OMA recorrente e apresenta efusão unilateral ou bilateral no exame de candidatura.
Também existe uma nuance de evidência: ensaio randomizado publicado em 2021 mostrou que a taxa média de episódios de OMA ao longo de 2 anos não foi significativamente menor com tubos do que com manejo médico episódico. Portanto, a redução de recorrência é o desfecho pretendido pela questão, mas o benefício real deve ser discutido de forma compartilhada, juntamente com riscos como otorreia, perfuração e necessidade de anestesia.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Aquisição da fala pode melhorar indiretamente quando existe perda auditiva persistente por efusão, mas não é o desfecho primário de uma indicação feita especificamente por OMA recorrente.
B) Incorreta. Melhora da audição é objetivo central quando o problema predominante é otite média com efusão crônica e perda auditiva condutiva. No enunciado, a indicação foi motivada por episódios recorrentes de OMA.
C) Incorreta. Redução de faltas à creche ou escola pode ocorrer como consequência de menos doença, mas é um desfecho indireto e não o alvo terapêutico primário.
D) Correta (gabarito). No raciocínio da questão, o principal objetivo dos tubos na OMA recorrente é reduzir a recorrência e a carga de novos episódios. A prática atual exige confirmar efusão no momento da indicação e reconhecer que o benefício sobre o número total de episódios pode ser modesto.