Paciente feminina, de 73 anos, veio à consulta de rotina queixando-se de dor lombar, iniciada há aproximadamente 2 semanas após uma queda da própria altura em casa. Relatou fazer atividade física regularmente e tentar manter hábitos de vida saudáveis, tendo como base uma dieta vegana. Não havia história de fraturas prévias. A menopausa ocorrera aos 43 anos, sem uso de terapia de reposição hormonal. Submetia-se a tratamento para câncer de mama com inibidor de aromatase há 2 anos e negou uso de outros medicamentos. Trouxe raio X de coluna recente, evidenciando fratura moderada de T12 e L1.
Pegadinha central: fratura vertebral por fragilidade já indica tratamento, mesmo sem DXA.
Inibidor de aromatase acelera perda óssea e aumenta risco de fratura.
DXA serve para linha de base e seguimento, não para atrasar prevenção secundária.
Múltiplas fraturas vertebrais recentes podem colocar a paciente em risco muito alto e justificar discussão de terapia anabólica.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
A paciente sofreu fraturas vertebrais após queda da própria altura, portanto apresenta fraturas por fragilidade. Em mulher pós-menopáusica com 73 anos, uma fratura vertebral de baixo impacto estabelece risco muito alto de novas fraturas e permite o diagnóstico clínico de osteoporose mesmo antes da densitometria.
O Clinician's Guide da Bone Health and Osteoporosis Foundation de 2022 recomenda tratamento farmacológico para pacientes com fratura de quadril ou vértebra independentemente do valor da densidade mineral óssea. A densitometria continua útil para documentar a massa óssea basal e acompanhar a resposta, mas não deve atrasar o tratamento.
Nesta paciente há vários fatores adicionais de perda óssea: menopausa precoce aos 43 anos, idade avançada e uso de inibidor de aromatase. O posicionamento conjunto internacional atualizado em 2025 sobre perda óssea associada a inibidores de aromatase reforça a necessidade de avaliação do risco de fratura e de terapia dirigida ao osso em mulheres de alto risco.
Bisfosfonatos e denosumabe são opções antirreabsortivas frequentes, particularmente no contexto de tratamento com inibidor de aromatase. Como existem duas fraturas vertebrais recentes, algumas diretrizes atuais classificariam a paciente como risco muito alto e permitiriam considerar um agente formador de osso como estratégia inicial. Essa nuance não invalida o gabarito, porque a alternativa B é a única que reconhece que o tratamento não deve esperar a densitometria.
Em paciente com antecedente de câncer, imagem com características atípicas, dor desproporcional, déficit neurológico ou suspeita de lesão metastática exigiria investigação específica antes de atribuir a fratura apenas à osteoporose.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A densitometria é útil para quantificar a massa óssea e estabelecer valor basal, mas a fratura vertebral por baixo impacto já é suficiente para indicar osteoporose clínica e tratamento. Esperar o T-score atrasaria a prevenção secundária.
B) Correta (gabarito). A paciente precisa ser investigada para causas secundárias e iniciar tratamento farmacológico antiosteoporótico. O uso de inibidor de aromatase reforça o risco. Antirreabsortivo é opção válida, embora pacientes com múltiplas fraturas vertebrais possam também ser candidatas a terapia anabólica conforme avaliação individual.
C) Incorreta. O inibidor de aromatase faz parte do tratamento oncológico e não deve ser simplesmente suspenso pela UBS. Cálcio, vitamina D e proteína são importantes, mas não substituem terapia farmacológica em uma paciente que já sofreu fraturas por fragilidade.
D) Incorreta. Analgesia pode ser necessária para a fratura aguda, mas observação isolada por três meses deixa uma paciente de risco muito alto sem tratamento antifratura. Imobilização prolongada também pode piorar perda óssea e funcionalidade.