Paciente masculino, de 68 anos, procurou a UPA queixando-se de dificuldade extrema para urinar (apenas pequeno volume de urina era liberado com muito esforço), quadro iniciado no dia anterior. Informou ser tabagista com índice tabágico de 80 maços-ano. Desde os 50 anos, vinha observando enfraquecimento do jato urinário e aumento do número de vezes que acordava para urinar com a sensação de que não esvaziava a bexiga ao fim da micção. Negou febre ou ardência durante a micção. Trouxe resultado de exame de PSA solicitado na UBS. Ao exame físico, a palpação abdominal revelou bexiga distendida e sensível, e o toque retal, próstata aumentada de tamanho e de consistência firme, sem nódulos.
Pegadinha central: risco de retenção na HPB cresce com idade + sintomas + carga prostática.
PSA não serve apenas para câncer; na HPB ele também funciona como marcador indireto de volume prostático.
Retenção aguda com bexigoma pede descompressão vesical imediata.
Próstata grande e alto risco de progressão fazem lembrar inibidor da 5-alfa-redutase no tratamento de longo prazo.
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Contexto
O paciente apresenta retenção urinária aguda sobre sintomas crônicos do trato urinário inferior compatíveis com hiperplasia prostática benigna. Bexiga distendida e dolorosa, associada à eliminação de apenas pequenas quantidades sob grande esforço, indica necessidade imediata de descompressão vesical.
Além do manejo agudo, a questão pergunta quais fatores predizem maior risco de retenção e progressão da HPB. Estudos de história natural e diretrizes de LUTS/BPH mostram associação com idade mais avançada, maior intensidade dos sintomas, próstata maior e PSA mais elevado. O PSA, quando não há câncer ou prostatite, funciona também como marcador indireto de volume prostático.
A AUA Guideline de LUTS/BPH de 2026 mantém o PSA como elemento útil na avaliação quando seu resultado pode modificar o manejo e reconhece volume prostático e risco de progressão como determinantes terapêuticos. Homens com próstata aumentada e maior risco de progressão podem se beneficiar de inibidor da 5-alfa-redutase, isoladamente ou em combinação com alfa-bloqueador conforme o caso.
Tabagismo e IMC influenciam saúde global, mas não constituem o conjunto clássico de preditores clínicos usados para estimar retenção aguda por HPB.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Idade avançada, sintomas urinários prévios mais intensos e PSA elevado são marcadores clássicos de maior risco de progressão da HPB e retenção urinária aguda.
B) Incorreta. Idade e PSA são relevantes, mas índice tabágico não é um dos principais parâmetros usados para estimar progressão e retenção por HPB.
C) Incorreta. Tamanho prostático é relevante, mas tabagismo e IMC não formam o conjunto clássico de preditores principais.
D) Incorreta. Tamanho da próstata e intensidade dos sintomas são pertinentes, porém IMC é menos útil que idade e PSA para a previsão clássica de retenção aguda no contexto da HPB.