Paciente de 7 anos, com diagnóstico de transtorno do espectro autista (TEA) em nível I de suporte, sempre apresentou sintomas de hiperatividade. Os prejuízos no desempenho escolar vinham aumentando, principalmente após o ingresso no Ensino Fundamental, mesmo com terapia comportamental adequada.
Pegadinha central: TEA não exclui TDAH.
TDAH em escolar com prejuízo funcional pode ser tratado com estimulante mesmo se houver TEA.
Risperidona e aripiprazol lembram irritabilidade/agressividade do TEA, não desatenção e hiperatividade como alvo principal.
Em TEA, comece baixo, titule com cuidado e monitore apetite, sono e irritabilidade.
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Contexto
TEA e TDAH podem coexistir. Desde o DSM-5, os diagnósticos deixaram de ser mutuamente excludentes. Quando sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade são persistentes, aparecem em mais de um contexto e provocam prejuízo funcional além do esperado pelo TEA, deve-se avaliar formalmente a comorbidade.
A diretriz da American Academy of Pediatrics para TDAH recomenda, em crianças de 6 a 11 anos, tratamento medicamentoso associado a intervenções comportamentais e escolares quando há prejuízo relevante. Estimulantes, especialmente metilfenidato e anfetamínicos conforme disponibilidade e perfil individual, permanecem primeira linha para TDAH.
Em crianças com TEA, a resposta ao metilfenidato pode ser menos robusta e efeitos adversos como irritabilidade, redução do apetite e alterações do sono podem ocorrer com maior frequência. Isso exige titulação cuidadosa e monitoramento, mas não retira os estimulantes da primeira linha para TDAH bem caracterizado.
A ausência de medicamento capaz de tratar os sintomas nucleares do TEA não significa que comorbidades devam ficar sem tratamento farmacológico. Cada transtorno é tratado de acordo com sua repercussão clínica.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Risperidona e aripiprazol não são os fármacos de primeira escolha para TDAH. Seu papel no TEA é principalmente tratar irritabilidade grave, agressividade e comportamentos disruptivos.
B) Correta (gabarito). Aos 7 anos, com sintomas persistentes e prejuízo escolar apesar de terapia comportamental, um estimulante como metilfenidato continua sendo opção de primeira linha para o TDAH, mesmo na presença de TEA.
C) Incorreta. Embora não haja fármaco específico para os sintomas nucleares do TEA, há tratamento farmacológico eficaz para comorbidades, inclusive TDAH.
D) Incorreta. TEA e TDAH podem ser diagnosticados no mesmo paciente. A coexistência é frequente e deve ser reconhecida quando os critérios de ambos são preenchidos.