Paciente masculino, de 46 anos, consultou por apresentar tosse seca, sensação de aperto no peito, chiado e falta de ar, predominantemente no final do turno de trabalho, quadro iniciado há cerca de 1 ano. Informou que trabalhava em um curtume de médio porte há 3 anos. Inicialmente, os sintomas eram leves e esporádicos e atualmente interferiam em suas atividades diárias, com piora durante a semana e melhora no final de semana. Negou tabagismo. Relatou ausência de ventilação adequada no local de trabalho e uso irregular de equipamentos de proteção individual. Ao exame físico, foram constatados sibilos difusos bilaterais. A saturação de oxigênio era 93% em repouso.
Pegadinha central: piora no trabalho + melhora no fim de semana = pense em asma ocupacional.
Confirme asma com espirometria e, quando necessário, compare pico de fluxo trabalhando versus afastado.
O controle etiológico exige reduzir ou remover a exposição, não apenas aumentar medicação inalatória.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
O padrão é típico de asma ocupacional: sintomas de obstrução variável das vias aéreas, tosse, chiado, aperto torácico e dispneia, que pioram nos dias de trabalho e melhoram durante os afastamentos. A relação temporal entre exposição e sintomas é uma das pistas mais importantes.
O trabalho em curtume pode envolver exposição a compostos de cromo, além de poeiras e outros agentes químicos. Compostos de cromo, especialmente formas capazes de atuar como sensibilizantes respiratórios em determinados ambientes ocupacionais, são reconhecidos como possíveis desencadeantes de asma relacionada ao trabalho.
A confirmação deve demonstrar asma e sua relação com o trabalho. Espirometria com prova broncodilatadora é o primeiro passo para documentar obstrução variável. Quando necessário, medidas seriadas de pico de fluxo expiratório durante períodos de trabalho e afastamento ajudam a estabelecer associação ocupacional. Testes de hiperresponsividade brônquica e avaliação especializada podem complementar a investigação.
O tratamento não se limita a prescrever broncodilatadores ou corticoide inalatório. A medida etiológica central é reduzir ou eliminar a exposição ao agente causal, com avaliação de saúde ocupacional e medidas de controle ambiental. Quanto maior o tempo de exposição após o início da sensibilização, maior o risco de persistência da asma.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Sintomas típicos de asma que pioram durante o trabalho e melhoram nos fins de semana, associados à atividade em curtume com exposição possível a compostos de cromo, tornam asma ocupacional por cromo a principal hipótese.
B) Incorreta. Bronquite crônica é definida clinicamente por tosse produtiva na maioria dos dias por pelo menos 3 meses em cada um de 2 anos consecutivos, após exclusão de outras causas. O paciente tem tosse seca, sibilância variável e forte relação temporal com o trabalho.
C) Incorreta. Rinite alérgica produz principalmente espirros, prurido, rinorreia e obstrução nasal. Não explica isoladamente sibilos difusos, aperto torácico e dispneia.
D) Incorreta. Pneumonite química aguda costuma suceder uma exposição intensa e produzir síndrome respiratória aguda. O quadro evolui há um ano, com padrão repetitivo trabalho-descanso, típico de doença ocupacional sensibilizante.