Paciente masculino, de 34 anos, vítima de acidente automobilístico, apresentou hipotensão persistente embora tenha recebido adequada reposição volêmica. Radiografia abdominal evidenciou fratura pélvica em “livro aberto”. O FAST foi negativo.
Pegadinha central: choque + pelve em livro aberto + FAST negativo = sangre da pelve até prova em contrário.
Binder deve ficar nos grandes trocânteres, não na cintura.
Paciente instável não vai para tomografia antes do controle da hemorragia.
Packing e angioembolização são complementares conforme a fonte do sangramento e a estrutura do serviço.
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Contexto
Fratura pélvica em livro aberto corresponde a mecanismo de compressão anteroposterior com aumento do volume pélvico e ruptura do anel, podendo causar hemorragia maciça. Em paciente que permanece hipotenso apesar de reposição inicial e apresenta FAST negativo, a pelve passa a ser uma fonte altamente provável de sangramento retroperitoneal.
As diretrizes WSES para trauma pélvico recomendam reduzir o tempo até o controle definitivo da hemorragia. A compressão externa precoce com pelvic binder ou lençol corretamente posicionado sobre os grandes trocânteres reduz o volume pélvico e estabiliza temporariamente o anel. Em instabilidade persistente, packing pré-peritoneal e estratégias de controle arterial, como angioembolização em contextos selecionados, são métodos complementares.
A maior parte do sangramento pélvico grave é venosa ou proveniente de superfícies ósseas. Por isso, packing pré-peritoneal associado à estabilização mecânica pode controlar rapidamente a hemorragia. Angioembolização é especialmente útil para fonte arterial e pode ser empregada em sequência ou conforme o protocolo do centro.
Fixação interna definitiva não é procedimento de ressuscitação. Primeiro controla-se a hemorragia e restaura-se fisiologia; a reconstrução ortopédica definitiva vem depois.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. FAST negativo reduz a probabilidade de hemoperitônio significativo como principal fonte do choque. Laparotomia não deve ser a primeira resposta quando o quadro aponta para hemorragia pélvica retroperitoneal.
B) Incorreta. Fixação interna definitiva exige um paciente fisiologicamente estabilizado. Na fase de choque, a prioridade é estabilização temporária e controle da hemorragia.
C) Incorreta. Paciente persistentemente hipotenso não deve ser levado à tomografia enquanto há hemorragia potencialmente fatal não controlada. TC é apropriada após estabilização suficiente.
D) Correta (gabarito). Binder ou lençol pélvico reduz imediatamente o volume do anel e ajuda na hemostasia. Em choque persistente, packing retroperitoneal/pré-peritoneal oferece controle rápido do sangramento e integra a estratégia de damage control.