Atendimento inicial ao politraumatizado (ATLS)

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Questão 58
HCPA · 2026

Paciente masculino, de 34 anos, vítima de acidente automobilístico, apresentou hipotensão persistente embora tenha recebido adequada reposição volêmica. Radiografia abdominal evidenciou fratura pélvica em “livro aberto”. O FAST foi negativo.

Que conduta imediata, dentre as abaixo, é a mais adequada?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Fratura pélvica em livro aberto corresponde a mecanismo de compressão anteroposterior com aumento do volume pélvico e ruptura do anel, podendo causar hemorragia maciça. Em paciente que permanece hipotenso apesar de reposição inicial e apresenta FAST negativo, a pelve passa a ser uma fonte altamente provável de sangramento retroperitoneal.

As diretrizes WSES para trauma pélvico recomendam reduzir o tempo até o controle definitivo da hemorragia. A compressão externa precoce com pelvic binder ou lençol corretamente posicionado sobre os grandes trocânteres reduz o volume pélvico e estabiliza temporariamente o anel. Em instabilidade persistente, packing pré-peritoneal e estratégias de controle arterial, como angioembolização em contextos selecionados, são métodos complementares.

A maior parte do sangramento pélvico grave é venosa ou proveniente de superfícies ósseas. Por isso, packing pré-peritoneal associado à estabilização mecânica pode controlar rapidamente a hemorragia. Angioembolização é especialmente útil para fonte arterial e pode ser empregada em sequência ou conforme o protocolo do centro.

Fixação interna definitiva não é procedimento de ressuscitação. Primeiro controla-se a hemorragia e restaura-se fisiologia; a reconstrução ortopédica definitiva vem depois.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. FAST negativo reduz a probabilidade de hemoperitônio significativo como principal fonte do choque. Laparotomia não deve ser a primeira resposta quando o quadro aponta para hemorragia pélvica retroperitoneal.

B) Incorreta. Fixação interna definitiva exige um paciente fisiologicamente estabilizado. Na fase de choque, a prioridade é estabilização temporária e controle da hemorragia.

C) Incorreta. Paciente persistentemente hipotenso não deve ser levado à tomografia enquanto há hemorragia potencialmente fatal não controlada. TC é apropriada após estabilização suficiente.

D) Correta (gabarito). Binder ou lençol pélvico reduz imediatamente o volume do anel e ajuda na hemostasia. Em choque persistente, packing retroperitoneal/pré-peritoneal oferece controle rápido do sangramento e integra a estratégia de damage control.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: choque + pelve em livro aberto + FAST negativo = sangre da pelve até prova em contrário.

  • Binder deve ficar nos grandes trocânteres, não na cintura.

  • Paciente instável não vai para tomografia antes do controle da hemorragia.

  • Packing e angioembolização são complementares conforme a fonte do sangramento e a estrutura do serviço.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Atendimento inicial ao politraumatizado (ATLS)” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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