Paciente masculino, de 49 anos, com hipertensão arterial, foi encaminhado à Emergência devido à dor torácica interescapular de início súbito, seguida de perda de força nos membros inferiores. À admissão, encontrava-se agitado, referindo desconforto abdominal difuso e dificuldade para mobilizar os membros inferiores. Informou ser usuário de cocaína. A avaliação dos sinais vitais revelou pressão arterial de 210/100 mmHg, frequência cardíaca de 100 bpm e frequência respiratória de 20 mrm. Ao exame físico, não se identificaram pulsos femorais e distais palpáveis.
Pegadinha central: dor aórtica súbita + déficit de pulso ou órgão isquêmico = síndrome aórtica aguda complicada.
Paraplegia em dissecção pode significar má perfusão medular, não apenas doença neurológica primária.
Cocaína e hipertensão aumentam abruptamente o estresse sobre a parede da aorta.
Má perfusão é marcador de gravidade e costuma mudar a conduta de controle médico isolado para avaliação intervencionista urgente.
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Contexto
O quadro deve ser tratado como síndrome aórtica aguda complicada por má perfusão até prova em contrário. A combinação de dor torácica interescapular súbita, hipertensão grave, uso de cocaína, perda de pulsos femorais, déficit motor em membros inferiores e desconforto abdominal sugere dissecção aórtica aguda com comprometimento de ramos arteriais.
As Diretrizes da European Society of Cardiology de 2024 para doenças arteriais periféricas e da aorta enfatizam que síndrome aórtica aguda inclui dissecção, hematoma intramural e úlcera aterosclerótica penetrante. Quando há isquemia de órgão ou membro, o quadro é classificado como complicado e exige avaliação imediata em centro com capacidade de intervenção aórtica.
A cocaína aumenta descarga simpática, pressão arterial, frequência cardíaca e força de contração, elevando o estresse mecânico sobre a aorta. O exame diagnóstico de escolha em paciente estável o suficiente para imagem costuma ser angiotomografia da aorta com avaliação ampla de seus ramos.
Enquanto se organiza a intervenção, o tratamento médico da síndrome aórtica aguda busca reduzir rapidamente o impulso sobre a parede arterial, em geral com controle de frequência cardíaca e pressão por agente intravenoso de ação rápida. Contudo, a presença de má perfusão muda o prognóstico e frequentemente exige tratamento endovascular ou cirúrgico urgente, conforme a anatomia da lesão.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Aneurisma abdominal roto costuma causar dor abdominal ou lombar, hipotensão e hemorragia retroperitoneal. O paciente está extremamente hipertenso e apresenta dor interescapular seguida de déficits de perfusão em múltiplos territórios, padrão mais sugestivo de dissecção.
B) Incorreta. A apresentação é abrupta, com dor súbita e déficits agudos, portanto não corresponde a dissecção crônica como diagnóstico principal.
C) Incorreta. Trombose de aneurisma toracoabdominal pode causar isquemia, mas o conjunto de dor aórtica súbita, hipertensão intensa, cocaína e comprometimento multiterritorial é mais característico de síndrome aórtica aguda.
D) Correta (gabarito). A dor súbita típica associada a déficit de pulsos, déficit neurológico e possível isquemia visceral define uma síndrome aórtica aguda complicada por má perfusão, exigindo diagnóstico por imagem e avaliação urgente para intervenção.