Paciente masculino, de 75 anos, com distensão e dor abdominal em cólica associada a vômitos biliosos há 24 horas, foi trazido à Emergência. Ao exame, apresentava hérnia inguinal direita irredutível, dolorosa à palpação, sem sinais de peritonite.
Pegadinha central: hérnia irredutível + dor + obstrução = cirurgia de urgência, mesmo antes de aparecer peritonite.
Encarceramento é aprisionamento; estrangulamento é comprometimento vascular.
Taxis só entra em paciente selecionado, com quadro recente e sem qualquer sinal de isquemia ou estrangulamento.
A cirurgia também serve para decidir se a alça está viável ou precisa ser ressecada.
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Contexto
O quadro é de hérnia inguinal encarcerada associada a obstrução intestinal: a hérnia tornou-se irredutível e dolorosa, enquanto o paciente apresenta distensão, dor em cólica e vômitos biliosos. O encarceramento significa impossibilidade de reduzir o conteúdo herniário; o estrangulamento ocorre quando há comprometimento vascular, podendo evoluir para isquemia, necrose e perfuração.
A ausência de peritonite não exclui sofrimento da alça em fase inicial. Diretrizes de emergência para hérnias complicadas, como as recomendações da WSES e a atualização HerniaSurge de 2023, enfatizam que hérnia agudamente dolorosa e irredutível com sinais de obstrução exige avaliação cirúrgica urgente, sobretudo quando existe preocupação com estrangulamento.
A tentativa de redução manual, chamada taxis, não é proibida em toda hérnia encarcerada. Ela pode ser considerada quando não há qualquer suspeita clínica de estrangulamento, o início é recente e há condições adequadas para observação após a redução. Neste caso, porém, a combinação de dor, irredutibilidade e síndrome obstrutiva em um paciente idoso torna a exploração cirúrgica a opção mais segura entre as alternativas.
No preparo, devem ser iniciados jejum, acesso venoso, correção de distúrbios hidroeletrolíticos e descompressão nasogástrica quando indicada. A cirurgia permite reduzir o conteúdo, avaliar viabilidade intestinal e realizar ressecção se houver alça inviável.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A hérnia é irredutível, dolorosa e já está causando obstrução intestinal. A correção cirúrgica urgente permite tratar o encarceramento e, sobretudo, avaliar diretamente a viabilidade da alça antes que ocorra necrose.
B) Incorreta. Redução manual pode ter papel em casos cuidadosamente selecionados sem suspeita de estrangulamento. Na presença de obstrução associada a dor e irredutibilidade, não deve ser a estratégia automática, pois pode atrasar o tratamento definitivo e ocultar uma alça comprometida.
C) Incorreta. Radiografia pode demonstrar obstrução, mas o diagnóstico sindrômico já é evidente e o problema mecânico permanece preso no saco herniário. Observação isolada mantém risco de estrangulamento.
D) Incorreta. Antibiótico não desfaz o encarceramento nem corrige a obstrução. Programar cirurgia eletiva depois de melhora espontânea é inadequado diante de uma hérnia atualmente irredutível e sintomática.