Gestante de 20 anos, GIPO, sem pré-natal, foi trazida ao Centro Obstétrico por contrações e perda de líquido. Referiu ter feito uso de cocaína há 2 horas. Ao exame, apresentava sinais vitais estáveis, 3 contrações uterinas efetivas e regulares em 10 minutos, saída de líquido claro pelo orifício cervical externo e mudanças cervicais (dilatação de 5 cm e apagamento de 90%). Ultrassonografia (US) evidenciou feto único com movimentação ativa, em apresentação cefálica e idade gestacional compatível com 31 semanas.
Pegadinha central: contração regular + modificação cervical franca já fecha trabalho de parto pré-termo; não peça colo transvaginal ou fibronectina para confirmar o óbvio.
Parto iminente antes de 32 semanas = lembrar sulfato de magnésio para neuroproteção.
Corticoide antenatal reduz complicações da prematuridade, mas não se deve atrasar um parto indicado apenas para completar o esquema.
Na rotura pré-termo de membranas, antibiótico de latência pertence à conduta expectante; profilaxia para estreptococo B é uma finalidade diferente.
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Contexto
A paciente apresenta trabalho de parto pré-termo estabelecido aos 31 semanas: há contrações uterinas regulares e efetivas associadas a modificação cervical importante, com 5 cm de dilatação e 90% de apagamento. Nesse cenário, ultrassonografia transvaginal para medir o colo e testes bioquímicos, como fibronectina fetal ou testes imunocromatográficos, não são necessários para confirmar um diagnóstico que já está clinicamente estabelecido.
Há também rotura de membranas em gestação pré-termo, demonstrada pela saída de líquido claro pelo orifício cervical. As recomendações do ACOG para rotura pré-termo de membranas e as recomendações FIGO para parto pré-termo orientam, quando o nascimento antes de 32 semanas é iminente, três medidas fetais de alto rendimento: corticosteroide antenatal para reduzir morbidade respiratória e neonatal, sulfato de magnésio para neuroproteção fetal antes de 32 semanas e profilaxia intraparto para estreptococo do grupo B quando o status materno é desconhecido ou existe outra indicação.
Antibiótico para latência é estratégia destinada à conduta expectante na rotura pré-termo de membranas, tipicamente quando não há trabalho de parto avançado, infecção ou indicação de resolução. Aqui, a dilatação de 5 cm torna o nascimento provável e muda o objetivo para assistência ao parto e prevenção de complicações. Progesterona é intervenção preventiva em grupos selecionados de risco para prematuridade, e não tratamento de trabalho de parto já estabelecido.
O uso recente de cocaína acrescenta risco de vasoconstrição e descolamento prematuro de placenta, reforçando a necessidade de avaliação materna e fetal cuidadosa. Na assistência neonatal, as diretrizes de ressuscitação de 2025 preferem clampeamento tardio do cordão por pelo menos 60 segundos no prematuro estável. Entre 28 e 34 semanas, ordenha do cordão pode ser considerada apenas quando o clampeamento tardio não pode ser realizado, não como conduta rotineira preferencial.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Colo curto e testes bioquímicos ajudam quando há dúvida diagnóstica, especialmente em sintomas com colo pouco modificado. Esta paciente já tem contrações regulares, dilatação de 5 cm e apagamento de 90%, portanto o trabalho de parto pré-termo está estabelecido.
B) Incorreta. Corticoide e avaliação para estreptococo do grupo B são pertinentes, mas progesterona não trata trabalho de parto ativo. Tocólise também não deve ser aplicada indiscriminadamente diante de rotura de membranas e trabalho de parto avançado; sua eventual utilização é excepcional e depende de ausência de infecção, sofrimento fetal e outras contraindicações.
C) Correta (gabarito). Aos 31 semanas, com parto prematuro provavelmente iminente, deve-se avaliar bem-estar fetal e infecção intrauterina, administrar corticosteroide antenatal, realizar profilaxia para estreptococo do grupo B quando indicada e oferecer sulfato de magnésio para neuroproteção fetal.
D) Incorreta. Prevenção de hipotermia é essencial, mas ordenha do cordão não é a estratégia preferencial de rotina em prematuro de 31 semanas. O padrão atual prioriza clampeamento tardio quando o recém-nascido está estável; ordenha pode ser alternativa em 28 a 34 semanas apenas quando esse atraso não é possível. Amamentação na primeira hora depende da estabilidade clínica e da capacidade do prematuro.