Paciente de 32 anos, G3P3, consultou por vir apresentando desânimo e cansaço, tendo sido solicitados vários exames para investigação. Informou ter realizado laqueadura tubária há 3 anos e estarem regulares os ciclos menstruais. Referiu ainda ter amamentado o último filho até os 2 anos. Os resultados dos exames estavam normais, exceto a prolactina (PRL de 65 ng/ml; valor de referência: < 25 ng/ml). A ressonância magnética (RM) da hipófise foi compatível com microadenoma hipofisário de 4 mm.
Pegadinha central: microprolactinoma não é sinônimo de cabergolina obrigatória.
Se os ciclos estão normais, não há infertilidade e não existem sintomas compressivos, observação pode ser suficiente.
Microadenoma mede menos de 10 mm; macroadenoma mede 10 mm ou mais.
Se precisar tratar, cabergolina costuma ser a primeira escolha pela maior eficácia e melhor tolerabilidade.
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Contexto
O achado é compatível com microprolactinoma, pois o adenoma mede menos de 10 mm. A prolactina está moderadamente elevada, em 65 ng/mL, mas a paciente mantém ciclos menstruais regulares e não apresenta galactorreia, infertilidade, hipogonadismo ou sintomas compressivos. Nessa situação, tratar o número da prolactina não é obrigatório.
O Consenso Internacional da Pituitary Society de 2023 enfatiza que a decisão terapêutica deve considerar sintomas, função gonadal, desejo reprodutivo, tamanho tumoral e risco de crescimento. Microprolactinomas apresentam baixo risco de expansão clinicamente relevante. Em mulher assintomática com função gonadal preservada, a observação é uma estratégia aceitável.
Antes de atribuir toda hiperprolactinemia ao adenoma, a avaliação deve excluir causas fisiológicas e secundárias, como gestação, hipotireoidismo, insuficiência renal, medicamentos e macroprolactina quando pertinente. O enunciado informa investigação laboratorial normal e laqueadura prévia, além de ressonância compatível com microadenoma.
A ressonância magnética seriada anual não é necessária de rotina em um microadenoma estável quando a prolactina e o quadro clínico permanecem controlados. A imagem deve ser antecipada se surgirem cefaleia nova, alteração visual, aumento importante da prolactina ou outra evidência de crescimento tumoral.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A paciente é assintomática do ponto de vista gonadal e compressivo, tem microadenoma de apenas 4 mm e ciclos regulares. É apropriado acompanhar sintomas e prolactina sem iniciar agonista dopaminérgico imediatamente.
B) Incorreta. Ressonância anual rotineira não agrega benefício quando um microprolactinoma permanece clinicamente e bioquimicamente estável. O seguimento laboratorial com prolactina orienta a necessidade de repetir imagem.
C) Incorreta. Cabergolina seria o agonista dopaminérgico preferido se houvesse indicação de tratar, por exemplo hipogonadismo, amenorreia, infertilidade ou sintomas relevantes. A paciente não apresenta esses critérios.
D) Incorreta. Bromocriptina também não precisa ser iniciada em microprolactinoma assintomático e costuma causar mais efeitos adversos que cabergolina. Além disso, a dose apresentada é desnecessariamente agressiva para um quadro que não exige tratamento.