Pegadinha central: falso positivo por gestação e autoimunidade é característica do VDRL/RPR, não principalmente dos testes treponêmicos.
Maior transmissibilidade: sífilis primária e secundária. Quanto maior a exposição fetal sem tratamento, maior o risco de transmissão.
Tempo de infecção desconhecido = trate como duração ignorada, com 7,2 milhões UI em 3 doses semanais.
Gestante alérgica não recebe doxiciclina: dessensibiliza e usa penicilina.
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Contexto
Na sífilis gestacional, o risco fetal depende de duas variáveis principais: estágio da infecção materna e tempo de exposição fetal. O Ministério da Saúde informa que a transmissão vertical pode chegar a taxas muito altas na gestante não tratada e é maior nas fases primária e secundária, quando há maior quantidade de treponemas circulantes. A chance de transmissão também aumenta conforme a gestação avança e o feto permanece exposto, embora infecção mais precoce possa produzir consequências fetais mais graves.
O PCDT de Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde e as recomendações atuais do CDC mantêm a penicilina como único tratamento com eficácia comprovada para tratar a infecção fetal e prevenir sífilis congênita. Gestante com alergia verdadeira à penicilina deve ser submetida à dessensibilização e posteriormente tratada com penicilina. Doxiciclina não é alternativa para prevenção de transmissão vertical na gestação.
No diagnóstico sorológico, a pegadinha está nos falsos positivos. Condições como gestação, doenças autoimunes, algumas infecções e uso de drogas injetáveis estão classicamente relacionadas a falso positivo em teste não treponêmico, como VDRL ou RPR. Testes treponêmicos são mais específicos e frequentemente permanecem reagentes por toda a vida após infecção.
Gestante assintomática, reagente, sem documentação de tratamento e sem elementos que permitam datar a infecção não deve ser chamada de sífilis primária. Na ausência de critérios de infecção recente, deve ser manejada como sífilis latente de duração ignorada.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). A transmissão vertical é maior nas fases primária e secundária, por maior carga de treponemas, e aumenta com o tempo de exposição fetal ao longo da gestação. Esse padrão epidemiológico é reconhecido pelo Ministério da Saúde.
B) Incorreta. A primeira parte lembra corretamente que o diagnóstico costuma combinar testes treponêmicos e não treponêmicos, mas a alternativa atribui falsos positivos da gestação principalmente aos testes treponêmicos. Esse fenômeno é clássico dos testes não treponêmicos.
C) Incorreta. Ausência de sintomas não transforma o quadro em sífilis primária, que se caracteriza por lesão típica no sítio de inoculação. Se o tempo de infecção é desconhecido e não há critérios de doença recente, trata-se como sífilis latente de duração ignorada, com três doses semanais de penicilina benzatina.
D) Incorreta. Doxiciclina não substitui penicilina na gestante. Em alergia verdadeira, a conduta é dessensibilização seguida de penicilina, pois é o único antimicrobiano comprovadamente eficaz para prevenir infecção fetal.