Paciente masculino, de 53 anos, veio à consulta por desejar submeter-se a um check-up por insistência da esposa com quem se casara recentemente. Informou não realizar acompanhamento de saúde há muitos anos. No momento, não fazia uso de medicamentos nem apresentava queixas relacionadas à sua saúde. Trouxe resultado de um exame realizado há 11 anos em que constava: Amostra reagente para o anticorpo contra o vírus da hepatite C (anti-HCV). Informou nunca ter feito tratamento específico para hepatite C.
Pegadinha central: anti-HCV diz contato; HCV-RNA diz infecção ativa.
Anti-HCV positivo + RNA negativo = sem viremia atual, desde que não haja exposição recente.
AST/ALT normais não excluem hepatite C crônica.
Hepatite C curada ou resolvida não gera imunidade: reinfecção é possível.
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Contexto
Um resultado anti-HCV reagente demonstra que a pessoa já teve contato com o vírus da hepatite C, mas não distingue infecção ativa de infecção passada com clareamento espontâneo ou de infecção previamente curada após tratamento. O exame que responde se há vírus circulante é o HCV-RNA.
O Ministério da Saúde orienta que todo anti-HCV positivo seja seguido pela pesquisa de RNA do HCV para confirmar infecção ativa. Se o RNA estiver detectável, o paciente tem infecção ativa e deve ser avaliado para tratamento com antivirais de ação direta. Se estiver indetectável e não houver suspeita de exposição recente, não há evidência de infecção ativa.
Transaminases normais não excluem hepatite C crônica. Uma pessoa com viremia pode permanecer assintomática e apresentar AST e ALT normais ou pouco alteradas durante longos períodos.
Também é incorreto afirmar que a resolução espontânea gera imunidade permanente. Os anticorpos anti-HCV não protegem de forma confiável contra nova infecção, e pessoas que eliminaram o vírus podem ser reinfectadas.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. AST e ALT normais não excluem infecção crônica. O paciente pode manter HCV-RNA detectável mesmo com aminotransferases normais.
B) Correta (gabarito). O próximo exame é a carga viral por HCV-RNA. Se estiver indetectável e não houver exposição recente que justifique repetição, não existe infecção ativa a ser tratada.
C) Incorreta. Antivirais de ação direta devem ser oferecidos a quem tem infecção ativa confirmada. Não se inicia tratamento apenas com anti-HCV reagente de 11 anos atrás.
D) Incorreta. Anti-HCV positivo isolado não permite afirmar cura espontânea, pois ainda pode haver viremia. Além disso, mesmo após clareamento do vírus, não se desenvolve imunidade protetora permanente contra reinfecção.