Paciente feminina, de 45 anos, sem comorbidades, procurou atendimento por ter sido descoberto, de forma incidental em exame de imagem, um nódulo tireoidiano. Encontrava-se assintomática. Ao exame físico, palpou-se nódulo no lobo direito da tireoide. Ultrassonografia mostrou um nódulo sólido, hipoecogênico, com margens irregulares, microcalcificações e formato mais largo do que alto, medindo 1,3 cm no maior diâmetro. A dosagem de TSH estava normal.
Pegadinha central: TR5 ≥1 cm = PAAF.
Neste caso: 2 sólido + 2 hipoecoico + 2 margem irregular + 3 microcalcificações = 9 pontos.
Formato mais largo que alto não soma ponto; mais alto que largo somaria 3.
TR5 não significa câncer confirmado e não manda direto para cirurgia.
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Contexto
O ACR TI-RADS transforma características ultrassonográficas em pontos. O nódulo da questão é sólido, hipoecogênico, tem margens irregulares, microcalcificações e formato mais largo que alto. A soma chega a categoria TR5, altamente suspeita.
Pelo sistema do American College of Radiology TI-RADS de 2017, que permanece como a estrutura ACR utilizada para estratificação, TR5 indica PAAF quando o maior diâmetro é ≥1,0 cm. Para nódulos TR5 menores que o limiar de PAAF, o tamanho pode determinar seguimento ultrassonográfico.
Este nódulo mede 1,3 cm, portanto ultrapassa o limiar de punção. TSH normal não reduz a suspeita ultrassonográfica. Se o TSH estivesse baixo, cintilografia poderia ser útil para avaliar autonomia funcional, pois nódulos hipercaptantes têm abordagem diferente.
Ultrassonografia suspeita não é diagnóstico histológico de câncer e não justifica cirurgia direta na maioria das situações. A PAAF fornece classificação citológica pelo sistema Bethesda e orienta a etapa seguinte.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O conjunto de hipoecogenicidade, margens irregulares e microcalcificações é de alta suspeição e soma muito mais pontos que um TR3. Dosagem semestral de TSH não resolve o risco morfológico.
B) Incorreta. A soma chega a TR5 e o nódulo já mede 1,3 cm, acima do limiar de 1 cm para PAAF.
C) Correta (gabarito). O nódulo soma 9 pontos, é TR5 e mede 1,3 cm. Pelo ACR TI-RADS, deve ser submetido à punção aspirativa por agulha fina.
D) Incorreta. TR5 significa alto risco ultrassonográfico, não indicação automática de tireoidectomia. A avaliação citológica precede a decisão cirúrgica na maioria dos pacientes.