Pegadinha central: colecistostomia é muitas vezes uma ponte para cirurgia, não o tratamento definitivo de todo paciente idoso.
Se o risco melhora, pense em colecistectomia de intervalo por volta de 6 a 8 semanas.
Idade cronológica sozinha não define inoperabilidade; fragilidade e risco fisiológico pesam mais.
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Contexto
A colecistostomia percutânea é utilizada como controle temporário do foco em pacientes com colecistite aguda e risco operatório proibitivo ou muito elevado naquele momento. Ela descomprime a vesícula e permite controlar infecção e resposta inflamatória, mas não elimina cálculos nem necessariamente resolve o risco de novos eventos biliares.
O Consenso Internacional Delphi de 2024 envolvendo E-AHPBA, ANS e WSES sobre manejo da colecistostomia percutânea reforça que, quando o paciente melhora e se torna candidato a cirurgia, a colecistectomia de intervalo deve ser planejada. O consenso favorece uma janela aproximada de 6 a 8 semanas após a drenagem, permitindo resolução do processo inflamatório e otimização clínica.
A idade de 80 anos, isoladamente, não contraindica colecistectomia. O que importa é risco fisiológico, fragilidade, comorbidades, desempenho funcional e possibilidade de otimização. Manter indefinidamente apenas tratamento clínico em um paciente que se torna operável o deixa exposto a recorrência de colecistite e outros eventos biliares.
A alternativa chama a cirurgia de precoce, mas a janela de 6 a 8 semanas é tecnicamente uma colecistectomia de intervalo, e é esse tempo que determina o acerto do item.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Idade avançada não é contraindicação cirúrgica absoluta. Após melhora e reavaliação, muitos idosos podem receber tratamento definitivo com colecistectomia.
B) Incorreta. Esperar nova crise significa aceitar risco evitável de recorrência. Se o paciente tornou-se candidato cirúrgico, a estratégia preferida é programar a colecistectomia, e não aguardar sintomas retornarem.
C) Correta (gabarito). Após controle da fase aguda por colecistostomia percutânea e recuperação clínica, deve-se planejar colecistectomia definitiva. O consenso internacional de 2024 favorece o intervalo de aproximadamente 6 a 8 semanas.
D) Incorreta. Não existe benefício estabelecido em postergar rotineiramente por pelo menos 6 meses. Um atraso tão longo amplia a janela de exposição a nova colecistite, cólica biliar e outras complicações.