Paciente masculino, de 47 anos, consultou por linfadenomegalia cervical. Informou ser tabagista moderado há 18 anos, não ter tosse, nem apresentar febre ou perda de peso. Ao exame físico, identificou-se nódulo palpável, firme, indolor, com aproximadamente 2,0 cm de diâmetro, na região cervical IIa (grupo jugular superior anterior).
Pegadinha central: adulto com linfonodo firme >1,5 cm sem causa infecciosa clara é alto risco para malignidade.
Nível IIa pede busca de primário em vias aerodigestivas superiores, principalmente orofaringe e regiões relacionadas.
Atualização importante: hoje, massa cervical de alto risco deve caminhar para TC/RM com contraste + PAAF, não apenas sorologias.
Biópsia aberta é evitada como primeira abordagem.
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Contexto
Um linfonodo cervical firme, indolor, com 2 cm em adulto tabagista deve ser considerado potencialmente maligno até esclarecimento. A topografia nível IIa recebe drenagem de cavidade oral, orofaringe, nasofaringe e outras regiões das vias aerodigestivas superiores, portanto o exame dirigido de boca, faringe e laringe é parte importante da avaliação.
Há, porém, uma divergência relevante entre o gabarito histórico da prova e a recomendação contemporânea. A medida de qualidade AAO-HNS 2026 para massa cervical em adultos, baseada na diretriz de avaliação de massa cervical, considera maior risco de malignidade quando a massa é firme, mede mais de 1,5 cm, persiste por pelo menos 2 semanas ou tem duração incerta. Nesses pacientes, recomenda-se exame dirigido das mucosas, imagem com contraste e punção aspirativa por agulha fina antes de biópsia aberta.
A alternativa C é mantida como gabarito porque destaca a busca do sítio primário nas vias aerodigestivas superiores, raciocínio anatômico que a questão pretende avaliar. Entretanto, na prática atual, não se deve limitar a investigação a sorologias e exame físico: um linfonodo de 2 cm, firme e indolor em tabagista preenche critérios de alto risco e deve progredir rapidamente para imagem e PAAF.
Sorologias infecciosas podem ser escolhidas quando a história epidemiológica sustenta uma hipótese específica, mas não devem ser solicitadas indiscriminadamente como painel obrigatório.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Pelo gabarito da prova, a PAAF isolada não substitui a avaliação dirigida do provável sítio primário. Ressalva atual: PAAF é, sim, componente recomendado da investigação de uma massa cervical de alto risco e deve ser realizada antes de biópsia aberta se o diagnóstico permanecer incerto.
B) Incorreta. Ultrassonografia pode caracterizar linfonodos e guiar punção, mas isoladamente não define etiologia nem substitui a busca do sítio primário. Em paciente de alto risco, TC ou RM com contraste costuma ser mais apropriada para avaliação global do pescoço.
C) Correta (gabarito). O nível IIa deve motivar exame detalhado da cavidade oral, faringe e laringe em busca de neoplasia primária, além de investigação infecciosa quando clinicamente indicada. A prática atual acrescentaria imagem contrastada e PAAF precoce.
D) Incorreta. Biópsia aberta do linfonodo não é a primeira escolha em massa cervical suspeita, pois pode dificultar tratamento oncológico posterior e aumentar risco de implantação tumoral. PAAF é preferida inicialmente.