Gestante de 28 anos, G2P1, com 32 semanas de gestação, deu entrada na Emergência após acidente automobilístico de média intensidade. Informou que estava usando cinto de segurança e não ter havido perda de consciência. Referiu dor abdominal difusa e movimentos fetais diminuídos. Ao exame físico, apresentava-se hemodinamicamente estável, com dor à palpação do hipogástrio, sem sangramento vaginal. À ausculta, os batimentos cardiofetais tinham frequência de 130 bpm. Ultrassonografia revelou placenta anterior sem descolamento evidente, feto único vivo e líquido amniótico em quantidade normal.
Pegadinha central: ultrassom normal não exclui descolamento placentário pós-trauma.
Gestação viável após trauma pede monitorização fetal e uterina, inicialmente por pelo menos 4 horas; achados de risco prolongam a observação.
Não faça tocólise profilática: contração pode ser sinal de descolamento.
Em trauma obstétrico, primeiro salva-se e estabiliza-se a mãe; a melhor ressuscitação fetal é uma boa ressuscitação materna.
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Contexto
Questão anulada. Em trauma durante gestação viável, a prioridade é sempre estabilização materna segundo princípios de trauma, seguida de avaliação obstétrica e monitorização da frequência cardíaca fetal e da atividade uterina. Uma gestante com 32 semanas, dor abdominal e redução de movimentos fetais não deve receber alta apenas porque a ultrassonografia mostrou placenta aparentemente normal.
O descolamento prematuro de placenta é uma das principais complicações obstétricas após trauma contuso e pode ser oculto. A ultrassonografia tem baixa sensibilidade para excluir descolamento, portanto exame normal não encerra a investigação. Recomendações amplamente utilizadas orientam pelo menos 4 horas de cardiotocografia ou monitorização fetal e uterina após trauma em gestação viável. A observação costuma ser prolongada para aproximadamente 24 horas quando aparecem contrações frequentes, sangramento, dor ou sensibilidade uterina, alteração da frequência cardíaca fetal, rotura de membranas ou trauma materno importante.
A alternativa C é clinicamente plausível porque a paciente tem sintomas de alerta que podem justificar observação prolongada. Entretanto, a formulação rígida de pelo menos 24 horas com monitorização fetal contínua, sem condicionar a duração aos achados cardiotocográficos, número de contrações e evolução clínica, não é universal entre protocolos. Como o gabarito definitivo anulou a questão, nenhuma alternativa deve ser promovida a correta.
Tocólise profilática não é recomendada após trauma. Contrações podem ser marcador de descolamento placentário, e suprimi-las sem esclarecer a causa pode atrasar o reconhecimento da complicação. Cesárea também não é indicada apenas pelo mecanismo do trauma quando mãe e feto estão estáveis.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Dor abdominal e percepção de movimentos fetais diminuídos são sinais de alerta. Além disso, ultrassonografia normal não exclui descolamento placentário. A paciente necessita monitorização obstétrica antes de se considerar alta.
B) Incorreta. Tocolítico não deve ser administrado profilaticamente para prevenir parto prematuro após trauma. Se houver contrações, primeiro é necessário investigar descolamento, rotura de membranas e outras causas obstétricas.
C) Incorreta. É a opção mais próxima de uma conduta prudente e pode ser apropriada se persistirem sinais de risco, porém a exigência universal de monitorização contínua por pelo menos 24 horas não é válida para todo trauma. Protocolos costumam iniciar com pelo menos 4 horas e prolongar a observação conforme contrações, dor uterina, sangramento, alterações fetais e gravidade materna. Essa falta de precisão sustenta a anulação.
D) Incorreta. Não existe indicação de cesariana imediata apenas pelo risco teórico após um acidente. A resolução urgente depende de comprometimento fetal persistente, indicação obstétrica específica ou situação materna que exija o parto.