Pegadinha central: alta avidez de IgG no primeiro trimestre = infecção provavelmente antiga, não infecção adquirida na gestação.
PCR do líquido amniótico: pense em 18 semanas + intervalo mínimo de 4 semanas após infecção materna.
Antes de 18 semanas sem infecção fetal: espiramicina. A partir de 18 semanas ou com feto infectado: pirimetamina + sulfadiazina + ácido folínico.
IgG neonatal isolada não confirma doença congênita porque IgG materna atravessa a placenta.
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Contexto
Na toxoplasmose gestacional, três perguntas organizam a prova: quando ocorreu a infecção materna, há evidência de infecção fetal e qual tratamento é seguro para aquela idade gestacional. A página de cuidado clínico do CDC atualizada em 2026 recomenda espiramicina quando a infecção materna é adquirida e diagnosticada antes de 18 semanas e não há suspeita ou confirmação de infecção fetal. Para infecção adquirida a partir de 18 semanas ou quando há infecção fetal documentada ou suspeita, utiliza-se a associação de pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico.
A avidez do IgG é especialmente útil no primeiro trimestre. IgG de alta avidez no início da gestação torna muito improvável que a infecção primária tenha ocorrido recentemente durante aquela gestação. IgM positiva isoladamente também não data com segurança a infecção porque pode permanecer reagente por meses.
Quando indicada, a PCR para DNA de Toxoplasma gondii no líquido amniótico deve ser feita, em geral, a partir de 18 semanas e pelo menos 4 semanas após a provável infecção materna. Realizá-la cedo demais reduz a sensibilidade porque é necessário tempo para passagem do parasito ao compartimento fetal e eliminação no líquido amniótico.
A pirimetamina é antagonista do metabolismo do folato e deve ser evitada no primeiro trimestre; o ácido folínico reduz sua toxicidade hematológica. Há uma imprecisão na justificativa textual da alternativa C ao atribuir o mesmo mecanismo à sulfadiazina: a sulfonamida interfere na síntese de folato do microrganismo, enquanto a principal preocupação teratogênica por antagonismo de folato humano no início da gestação recai sobre a pirimetamina. Ainda assim, o esquema terapêutico e o marco de 18 semanas tornam C a resposta correta.
No recém-nascido, IgG materna atravessa livremente a placenta e pode persistir por meses. Portanto, IgG positiva isoladamente nos primeiros meses não confirma toxoplasmose congênita. A confirmação pode envolver IgM ou IgA específicas, persistência de IgG além do período esperado de desaparecimento dos anticorpos maternos e outros métodos diagnósticos conforme o contexto.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. IgM e IgG reagentes não bastam para datar a infecção. No primeiro trimestre, IgG de alta avidez aponta fortemente para infecção adquirida antes da gestação, e não para infecção aguda recente.
B) Incorreta. A alternativa antecipa indevidamente a amniocentese para 14 semanas e inverte o intervalo temporal. A PCR deve ser realizada, em geral, a partir de 18 semanas e não antes de terem transcorrido aproximadamente 4 semanas desde a infecção materna.
C) Correta (gabarito). O esquema com pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico é utilizado a partir de 18 semanas ou diante de suspeita ou confirmação de infecção fetal. Pirimetamina deve ser evitada no primeiro trimestre pelo efeito antifolato. A redação que atribui igual antagonismo do folato à sulfadiazina é farmacologicamente simplificada, mas não altera a correção do esquema e do momento terapêutico cobrados.
D) Incorreta. IgG materna atravessa a placenta. Um lactente pequeno pode apresentar IgG positiva sem estar infectado, por transferência passiva de anticorpos maternos.