Paciente masculino, de 41 anos, com diagnóstico de diabetes melito há 2 anos (em uso irregular de metformina), consultou em razão de erupções cutâneas generalizadas, iniciadas há 2 semanas. Informou que as lesões estavam “se espalhando” por todo o corpo. Vinha fazendo uso de clobetasol tópico por psoríase em placas no couro cabeludo, nos joelhos e nos cotovelos há 10 anos. Referiu que utilizara, há alguns dias, prednisona (1 mg/kg/dia) por dores articulares, suspensa antes do início do quadro. Ao exame dermatológico, apresentava eritema generalizado por todo o corpo com pústulas e descamação.
Pegadinha central: psoríase + corticoide sistêmico retirado + pústulas difusas = psoríase pustulosa generalizada.
Pústula estéril disseminada muda o diagnóstico de simples psoríase em placas para uma apresentação potencialmente grave.
Quadro extenso pode exigir internação, avaliação sistêmica e terapia específica, não apenas corticoide tópico.
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Contexto
O quadro é de psoríase pustulosa generalizada: início agudo com eritema difuso, múltiplas pústulas estéreis e descamação em paciente com história prévia de psoríase. Essa apresentação é potencialmente grave porque pode acompanhar febre, leucocitose, distúrbios hidroeletrolíticos, hipoalbuminemia, infecção secundária e comprometimento sistêmico.
Um gatilho clássico é a exposição seguida de retirada de corticosteroide sistêmico. O corticosteroide pode suprimir transitoriamente a inflamação; sua retirada pode ser seguida de rebote imunológico e exacerbação pustulosa em indivíduos suscetíveis. Por esse motivo, corticosteroides sistêmicos não são tratamento rotineiro da psoríase em placas e devem ser usados com cautela quando existe outra indicação clínica.
O diagnóstico é principalmente clínico, podendo a biópsia ajudar quando há dúvida com pustulose exantemática aguda generalizada, infecção ou outras dermatoses pustulosas. Em quadros extensos, a avaliação deve incluir sinais sistêmicos, hemograma, função renal e hepática, eletrólitos e investigação de infecção quando indicada.
O uso irregular de metformina não é desencadeante típico dessa síndrome e serve como distrator. O dado farmacológico relevante do enunciado é a prednisona em dose de 1 mg/kg/dia seguida de suspensão antes do aparecimento das pústulas.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O padrão não é de simples recrudescimento de placas. Pústulas generalizadas sobre eritema definem uma forma pustulosa aguda. Metformina irregular não explica a transformação clínica.
B) Incorreta. Uso e retirada de corticosteroide sistêmico são gatilhos plausíveis, mas a alternativa erra ao chamar o quadro de psoríase vulgar, ignorando a morfologia pustulosa disseminada.
C) Incorreta. O diagnóstico de psoríase pustulosa está correto, mas a relação causal proposta com uso irregular de metformina não é a associação clássica do caso.
D) Correta (gabarito). Pústulas disseminadas, eritema generalizado e descamação após exposição e retirada de corticosteroide sistêmico em paciente com psoríase prévia são compatíveis com psoríase pustulosa generalizada precipitada pelo corticoide.