Menina de 2 anos foi trazida à consulta por febrículas e persistência da tosse em acessos, principalmente à noite, que chegava a provocar palidez de extremidades e em torno dos lábios. A expectoração era clara e viscosa. No pescoço anterior e nas pálpebras, havia várias petéquias. O quadro teve início com resfriado e congestão nasal há cerca de 4 semanas, com piora progressiva. A paciente não possuía a Caderneta da Criança (sem história de vacinação).
Pegadinha central: apesar de ser uma infecção bacteriana, a coqueluche lembra leucocitose com linfocitose, não neutrofilia como regra.
Tosse paroxística por semanas, pior à noite, com cianose, palidez, vômito ou petéquias após os acessos é um recorte clássico de prova.
Em lactentes, leucocitose muito intensa associa-se a doença grave e pode acompanhar hipertensão pulmonar.
A banca costuma usar ausência ou falha vacinal como pista epidemiológica, mas a doença também pode ocorrer em vacinados por redução da imunidade ao longo do tempo.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
A história descreve coqueluche por Bordetella pertussis. O curso típico começa com fase catarral semelhante a resfriado, seguida após 1 a 2 semanas por fase paroxística, com acessos repetidos de tosse, piora noturna, possível guincho inspiratório, vômitos pós-tosse, cianose ou palidez. As petéquias em face, pescoço e pálpebras decorrem do aumento abrupto da pressão venosa durante os paroxismos de tosse, e não de uma vasculite primária.
O Guia de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde descreve como achado laboratorial clássico leucocitose com linfocitose absoluta e relativa, sobretudo em crianças não vacinadas. A toxina pertussis interfere em vias de sinalização de proteínas G e favorece linfocitose por alteração do tráfego de linfócitos entre sangue e tecidos. No período paroxístico, a contagem leucocitária pode subir de forma marcante e a proporção de linfócitos pode predominar.
A ausência de vacinação aumenta a probabilidade pré-teste, mas vacinação incompleta ou mesmo vacinação prévia não excluem a doença. Da mesma forma, ausência de linfocitose não exclui coqueluche, especialmente em vacinados, crianças maiores e apresentações atípicas.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Leucocitose associada a linfocitose absoluta e relativa é o padrão hematológico clássico da coqueluche, especialmente na fase paroxística e em crianças não vacinadas.
B) Incorreta. Leucopenia com eosinofilia não caracteriza coqueluche. Eosinofilia direcionaria para outros diagnósticos, como algumas doenças alérgicas ou parasitárias, conforme o contexto.
C) Incorreta. Pode haver alterações inespecíficas do leucograma em infecções, mas monocitose não é a assinatura hematológica de Bordetella pertussis. O achado de prova é linfocitose.
D) Incorreta. Neutrofilia com linfopenia é um padrão que pode ocorrer em infecções bacterianas invasivas e resposta de estresse, mas contraria o efeito clássico da toxina pertussis, que promove linfocitose periférica.