Paciente masculino, de 50 anos, procurou atendimento por dor abdominal em cólica, náuseas, vômitos e parada de eliminação de gases e fezes, quadro com início há cerca de 3 dias, associado a distensão abdominal com timpanismo, sem sinais de irritação peritoneal. Apresentou leucograma sem leucocitose significativa ou desvio à esquerda e proteína C reativa com elevação discreta. A hipótese diagnóstica principal é obstrução intestinal, provavelmente de etiologia mecânica.
Pegadinha central: obstrução mecânica sem peritonite começa com jejum + volume + eletrólitos + descompressão + TC.
Tomografia não serve apenas para confirmar obstrução; ela procura o ponto de transição, a causa e sinais de sofrimento da alça.
Peritonite, alça fechada e isquemia retiram o paciente do caminho conservador e indicam avaliação cirúrgica urgente.
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Contexto
O paciente apresenta síndrome de obstrução intestinal mecânica: dor em cólica, vômitos, distensão, timpanismo e parada de eliminação de gases e fezes. A ausência de irritação peritoneal, leucocitose importante ou resposta inflamatória intensa reduz, naquele momento, a suspeita de perfuração ou isquemia intestinal estabelecida.
As Diretrizes de Bologna da World Society of Emergency Surgery para obstrução aderencial descrevem os pilares do manejo inicial não operatório quando não há sinais de peritonite, estrangulamento ou isquemia: jejum, reposição intravenosa de líquidos e eletrólitos e descompressão por sonda nasogástrica ou tubo longo. Embora o paciente não tenha etiologia aderencial comprovada, esses princípios de estabilização se aplicam à obstrução mecânica indiferenciada.
A tomografia computadorizada de abdome com contraste é o exame mais útil para definir local da transição, gravidade, provável causa e sinais de alça fechada, sofrimento vascular, pneumoperitônio ou outra complicação que modifique a necessidade de cirurgia.
Antibiótico de amplo espectro não é obrigatório em toda obstrução simples. Torna-se importante quando há suspeita de translocação bacteriana relevante, isquemia, perfuração ou necessidade operatória conforme o contexto. Colonoscopia é tratamento específico em algumas causas de obstrução colônica, como determinados casos de volvo de sigmoide sem complicação, mas não é exame inicial de uma obstrução mecânica ainda não caracterizada.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Jejum, hidratação, correção hidroeletrolítica e descompressão nasogástrica tratam as repercussões imediatas da obstrução. A tomografia define nível, etiologia e sinais de complicação e orienta a necessidade de intervenção.
B) Incorreta. Antibiótico empírico de amplo espectro não é necessário em toda obstrução não complicada, e a ultrassonografia não é o exame de escolha para caracterizar a causa mecânica no adulto.
C) Incorreta. Colonoscopia de urgência não é indicada como método inicial universal. Pode ter papel em situações específicas de obstrução colônica, mas primeiro é necessário definir a anatomia e excluir complicações.
D) Incorreta. Laparotomia imediata é indicada diante de peritonite, estrangulamento, perfuração, isquemia, deterioração clínica ou outras causas cirúrgicas específicas. Esses sinais não foram descritos.