Paciente feminina, de 72 anos, com dislipidemia e hipertensão arterial (uso regular de sinvastatina e hidroclorotiazida), buscou atendimento por dor no joelho direito, iniciada há 6 meses, com limitação funcional. Referiu episódios de dor em ambos os joelhos há mais de 5 anos, com duração de poucas semanas, que aliviavam com repouso. O IMC era de 35 kg/m². Ao exame, identificaram-se aumento de volume endurecido em ambos os joelhos, discreto calor local e dor à palpação de linhas articulares, sem dor à mobilização passiva.
Pegadinha central: osteoartrite não é motivo para mandar o paciente parar de se exercitar.
Obesidade + OA de joelho = perda de peso + exercício como pilares não farmacológicos.
Vitamina D e palmilha não regeneram cartilagem.
Dor mecânica melhora com repouso; artrite inflamatória tende a ter rigidez e sinais inflamatórios mais proeminentes.
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Contexto
O quadro é típico de osteoartrite de joelho: dor crônica mecânica, piora com uso, melhora com repouso, aumento de volume endurecido por remodelamento ósseo, obesidade e evolução ao longo de anos. O discreto calor pode ocorrer em exacerbações, mas a ausência de dor importante à mobilização passiva e de quadro inflamatório sistêmico torna artrite séptica ou inflamatória menos provável.
A Diretriz AAOS de 2021 para osteoartrite do joelho não submetida à artroplastia recomenda perda de peso sustentada em pacientes com sobrepeso ou obesidade para melhorar dor e função. A redução da carga mecânica sobre o joelho é particularmente relevante neste caso, com IMC de 35 kg/m².
Exercício não acelera inevitavelmente a destruição articular. Programas individualizados com fortalecimento, exercício aeróbico de baixo impacto, atividade aquática ou outras modalidades são pilares do tratamento. O objetivo é preservar mobilidade, aumentar força muscular e reduzir incapacidade.
Vitamina D não é tratamento modificador da osteoartrite e não deve ser administrada em altas doses sem indicação por deficiência ou outra condição. Da mesma forma, palmilhas podem ser úteis em situações biomecânicas específicas, mas não corrigem o dano estrutural da osteoartrite.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Altas doses de vitamina D não demonstraram papel como terapia rotineira da osteoartrite de joelho. Deficiência comprovada deve ser corrigida por indicação própria, não para regenerar a articulação.
B) Correta (gabarito). Com IMC de 35 kg/m², perda de peso é uma intervenção central. Reduz sobrecarga mecânica no joelho e melhora dor e função, especialmente quando combinada a exercício.
C) Incorreta. Exercício é recomendado, não contraindicado. Fortalecimento e atividade aeróbica adaptada melhoram capacidade funcional e sintomas.
D) Incorreta. Palmilhas não revertem perda de cartilagem nem corrigem o dano estrutural. Podem ter uso individualizado para sintomas ou biomecânica, mas não são indicação universal.