Hemorragia pós-parto

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Questão 29
HCPA · 2026

Primigesta de 17 anos, com 38 semanas e 5 dias de gestação, com pré-natal de risco habitual, foi internada no Centro Obstétrico na fase ativa do trabalho de parto. Transcorridas 5 horas, evoluiu para parto vaginal com períneo íntegro. Após o nascimento, a paciente recebeu ocitocina intramuscular (10 Ul). Foi realizado clampeamento oportuno do cordão umbilical e a dequitação ocorreu com a placenta íntegra. A paciente passou a queixar-se de sudorese e mal-estar. Ao exame físico, apresentava pressão arterial de 90/60 mmHg, frequência cardíaca de 120 bpm, útero com volume aumentado (acima da cicatriz umbilical) e sangramento vaginal ativo.

Com base no quadro, assinale a assertiva correta.
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O quadro é de hemorragia pós-parto com choque em evolução por atonia uterina. A paciente apresenta sangramento ativo, taquicardia de 120 bpm, pressão de 90/60 mmHg e útero aumentado acima da cicatriz umbilical. Na atonia, o miométrio não se contrai adequadamente após a dequitação, os vasos do leito placentário permanecem abertos e ocorre hemorragia.

O raciocínio etiológico da hemorragia pós-parto pode ser organizado pelos 4 Ts: Tone, Trauma, Tissue e Thrombin. Tone, ou atonia uterina, é a causa mais frequente. Placenta descrita como íntegra reduz a probabilidade de restos placentários como causa principal, embora a revisão sistemática da etiologia faça parte do atendimento.

As diretrizes consolidadas da OMS de 2025 mantêm ocitocina como uterotônico de primeira linha no tratamento da hemorragia pós-parto por atonia quando disponível. A resposta inicial deve ser simultânea: chamar ajuda, massagear o útero, garantir acessos venosos calibrosos, colher exames, iniciar reposição aquecida e hemoderivados conforme gravidade, além de tratar a causa.

O ácido tranexâmico não deve ser encarado como medicamento que só entra após falha da ocitocina. A OMS recomenda 1 g intravenoso o mais precocemente possível e dentro de 3 horas do parto, associado ao tratamento padrão; pode-se repetir 1 g se o sangramento persistir após 30 minutos ou reiniciar dentro de 24 horas. Ele é antifibrinolítico, não uterotônico.

Metilergometrina e outros uterotônicos podem ser acrescentados conforme resposta e contraindicações. Metilergometrina deve ser evitada em hipertensão; prostaglandinas têm contraindicações próprias. A reposição volêmica deve ser organizada e não baseada em grandes volumes indiscriminados de cristaloide, pois excesso contribui para hipotermia e coagulopatia dilucional.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. A principal causa de hemorragia pós-parto é atonia uterina, não retenção placentária. A placenta foi descrita como íntegra e o útero aumentado e hipotônico direciona para atonia. Curetagem é reservada para suspeita de tecido retido, não como primeira medida universal.

B) Incorreta. A ressuscitação é urgente, mas deve ser feita de forma estruturada, idealmente com acessos venosos calibrosos suficientes para reposição, uterotônicos e hemoderivados. Grandes volumes indiscriminados de cristaloide e a exigência de utilizar o mesmo acesso dos uterotônicos não constituem a recomendação central.

C) Correta (gabarito). Ocitocina é o principal uterotônico na prevenção e o tratamento de primeira linha da atonia uterina. Mesmo tendo recebido 10 UI intramuscular como profilaxia, a paciente com atonia deve receber tratamento uterotônico, frequentemente com ocitocina intravenosa em infusão conforme protocolo.

D) Incorreta. Misoprostol e metilergometrina podem funcionar como uterotônicos adicionais, mas ácido tranexâmico pertence a outra classe e deve ser administrado precocemente na hemorragia pós-parto, sem esperar a falha completa da ocitocina.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: útero grande e flácido + sangramento = Tone, atonia, a causa mais comum de HPP.

  • Ocitocina é primeira linha para atonia, mas o tratamento acontece em paralelo à ressuscitação e à busca pelos 4 Ts.

  • Tranexâmico 1 g IV dentro de 3 horas deve ser precoce; não espere falhar todos os uterotônicos.

  • Placenta íntegra torna Tissue menos provável, mas não dispensa revisão sistemática da causa do sangramento.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Hemorragia pós-parto” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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