Paciente feminina, de 25 anos, veio à UBS para a segunda consulta de pré-natal, com 12 semanas de gestação, conforme a data da última menstruação. O exame obstétrico foi normal. Os exames de acompanhamento indicaram teste treponêmico (TT) positivo e teste não treponêmico (TNT) negativo. Os demais exames apresentaram resultados dentro dos padrões da normalidade. Não havia histórico de sífilis. Estava em um relacionamento fixo quando engravidou, mas rompeu com o parceiro e não tem mantido contato sexual com ele ou com outro parceiro.
Pegadinha central: na gestação, um teste reagente já pode exigir tratamento imediato; não espere o VDRL positivar.
Duração ignorada = benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões UI semanal por 3 semanas.
Monitore resposta com VDRL/RPR quantitativo mensal; teste treponêmico não serve para avaliar queda de título.
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Contexto
Na gestação, um teste treponêmico reagente sem documentação de tratamento prévio não deve ser simplesmente ignorado porque o teste não treponêmico está negativo. O Ministério da Saúde recomenda tratamento imediato da gestante após apenas um teste reagente, treponêmico ou não treponêmico, quando não há comprovação adequada de tratamento anterior.
A paciente está assintomática e não existe informação que permita definir infecção adquirida no último ano. Nessa situação, deve-se manejar como sífilis latente de duração ignorada, cujo esquema é benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões UI intramuscular, sendo 1,2 milhão UI em cada glúteo, uma vez por semana por 3 semanas, totalizando 7,2 milhões UI.
O seguimento da resposta terapêutica deve ser feito com teste não treponêmico quantitativo, VDRL ou RPR, mensalmente durante a gestação. Testes treponêmicos podem permanecer reagentes por toda a vida e não servem para documentar queda de título ou resposta ao tratamento.
Por isso, existe uma pequena imprecisão na alternativa A ao dizer para repetir tanto TT quanto TNT mensalmente. O componente que deve ser acompanhado mensalmente é o TNT. Ainda assim, A permanece correta pelo gabarito porque é a única alternativa que não atrasa o tratamento e utiliza o esquema adequado para duração ignorada.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Em gestante sem tratamento prévio documentado e com duração da infecção desconhecida, deve-se tratar imediatamente com 2,4 milhões UI de benzilpenicilina benzatina semanalmente por 3 semanas. A ressalva atual é que o monitoramento mensal deve ser feito principalmente pelo TNT quantitativo, e não pela repetição seriada do TT.
B) Incorreta. Dose única é esquema para infecção recente em situações bem definidas. O enunciado não permite datar a infecção e, portanto, não autoriza reduzir o tratamento a uma dose.
C) Incorreta. Aguardar que o TNT se torne reagente pode atrasar tratamento necessário para prevenir transmissão vertical. Gestante com um teste reagente e sem tratamento prévio documentado deve ser tratada imediatamente.
D) Incorreta. Repetir o TNT por outra técnica pode integrar a investigação de discordância sorológica em alguns contextos, mas não se deve condicionar o tratamento da gestante a essa positividade. Além disso, a dose única seria inadequada para duração ignorada.