Paciente masculino, de 69 anos, com história de infarto do miocárdio, hipertensão arterial e dislipidemia, compareceu à consulta de revisão trazendo exames laboratoriais recentes, dentre os quais constava o perfil lipídico alterado. Vinha em uso apenas de AAS e enalapril.
Pegadinha central: quem já infartou não espera LDL subir para tratar.
Prevenção secundária de muito alto risco: LDL <55 mg/dL na diretriz ACC/AHA 2026.
Se estatina máxima não atinge meta, associe ezetimiba; intolerância não é o único motivo para combinação.
Estatina de alta intensidade busca redução de LDL de pelo menos 50%.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
Infarto prévio significa doença cardiovascular aterosclerótica clínica em prevenção secundária. Esse paciente não precisa atingir um valor mínimo de LDL para justificar tratamento. Ele já tem indicação de terapia hipolipemiante intensiva independentemente do LDL inicial.
A Diretriz ACC/AHA Multissociedades de Dislipidemia de 2026 voltou a recomendar metas numéricas e estabelece LDL-C abaixo de 55 mg/dL para pacientes em prevenção secundária considerados de risco muito alto. A maioria dos pacientes com evento aterosclerótico prévio, especialmente idosos com múltiplos fatores de risco como hipertensão e dislipidemia, tende a preencher critérios de risco muito alto.
Exemplos de estatina de alta intensidade incluem atorvastatina 40 a 80 mg e rosuvastatina 20 a 40 mg. O perfil lipídico deve ser reavaliado após início ou mudança do tratamento, em geral em semanas, e não somente depois de 6 meses.
A ezetimiba não é reservada para intolerância. Ela deve ser associada quando a estatina máxima tolerada não alcança a meta. Se ainda houver LDL acima do objetivo, inibidores de PCSK9 e outras terapias podem ser considerados conforme risco, disponibilidade e diretriz local.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Estatina de moderada intensidade e alvo de LDL abaixo de 100 mg/dL são insuficientes para um paciente em prevenção secundária após infarto. O tratamento deve ser mais agressivo.
B) Incorreta. Estatina de alta intensidade está correta, mas a meta de 70 mg/dL é menos intensiva que a recomendada para muito alto risco e ezetimiba não deve ser reservada apenas para intolerância.
C) Correta (gabarito). Estatina de alta intensidade, redução de pelo menos 50% e meta de LDL abaixo de 55 mg/dL representam a estratégia contemporânea de prevenção secundária de muito alto risco. Se a meta não for atingida, adiciona-se ezetimiba e intensifica-se conforme necessário.
D) Incorreta. Doença aterosclerótica estabelecida indica tratamento independentemente de LDL acima de 130 mg/dL. Mudança de estilo de vida é necessária, mas não substitui farmacoterapia de alta intensidade.