Gestante de 22 anos, GIPO, com 25 semanas de gestação, assintomática, veio ao Centro Obstétrico por orientação do médico do pré-natal, trazendo os laudos de exames ultrassonográficos.
Exame 1: Identifica-se um saco gestacional, contendo dois embriões com vitalidade; o comprimento cabeça-nádegas do embrião à esquerda tem 30 mm, e o do embrião à direita tem 25 mm. Conclusão: gestação gemelar; idade gestacional compatível com 9 semanas + 5 dias.
Exame 2: Identificam-se dois fetos com vitalidade; massa placentária na região fúndica do útero; líquido em quantidade normal na cavidade amniótica à esquerda e diminuída à direita. Conclusão: gestação gemelar diamniótica, idade gestacional compatível com 24 semanas; o peso do feto à esquerda encontra-se no percentil 50, e o do feto à direita no percentil 8 para a IG; diferença de peso entre os fetos de 26%.
Considerando as informações dos laudos trazidos pela gestante e as diretrizes para a realização de ultrassonografia na gestação gemelar, pode-se afirmar que se trata de gestação gemelar ........... . A datação da gestação foi corretamente realizada pelo embrião de ........... comprimento cabeça-nádegas. A hipótese diagnóstica é ........... .
Pegadinha central: em gemelar espontânea, date pelo maior CCN, não faça média e não use o menor.
Restrição seletiva: um feto abaixo do P10 + discordância de peso ≥25% é o padrão clássico cobrado.
STFF exige monocorionicidade e sequência oligo-poli; líquido baixo de um lado com líquido apenas normal do outro não fecha STFF.
Corionicidade deve ser definida o mais cedo possível porque determina risco e frequência de vigilância ultrassonográfica.
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Contexto
A primeira decisão em toda gestação gemelar é definir corionicidade e amnionicidade no primeiro trimestre, porque complicações e frequência do seguimento dependem disso. O primeiro exame descreve um único saco gestacional contendo dois embriões, e o segundo mostra uma única massa placentária com duas cavidades amnióticas. O conjunto favorece uma gestação monocoriônica diamniótica.
As Diretrizes de Ultrassonografia na Gestação Gemelar da ISUOG, atualizadas em 2025, recomendam que gestações gemelares espontâneas sejam datadas no primeiro trimestre utilizando o maior comprimento cabeça-nádegas. Aqui, os embriões medem 30 e 25 mm, portanto a datação deve usar o de 30 mm. O objetivo é evitar datar toda a gestação por um embrião que já esteja menor.
No exame de 24 semanas, um feto está no percentil 8 e a discordância de peso é de 26%. A discordância é calculada por (peso do maior feto - peso do menor feto) / peso do maior feto × 100. Em gestação monocoriônica, a combinação de peso estimado abaixo do percentil 10 em um dos fetos e discordância de pelo menos 25% é compatível com restrição seletiva do crescimento fetal segundo critérios amplamente utilizados.
A síndrome de transfusão feto-fetal exige o padrão de oligodrâmnio no doador e polidrâmnio no receptor. Neste caso há líquido diminuído em uma cavidade e normal na outra, sem polidrâmnio, enquanto o achado dominante é um feto abaixo do P10 com discordância de 26%. Isso favorece restrição seletiva.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A monocorionicidade está adequada, mas a datação deve usar o maior comprimento cabeça-nádegas. Além disso, falta o par oligodrâmnio-polidrâmnio necessário para caracterizar síndrome de transfusão feto-fetal.
B) Correta (gabarito). O conjunto indica gestação monocoriônica, a datação deve ser feita pelo embrião de maior comprimento cabeça-nádegas, e PFE no percentil 8 com discordância de 26% sustenta restrição seletiva de crescimento fetal.
C) Incorreta. Os exames favorecem uma única placenta/cório, e não gestação dicoriônica. A datação pelo menor embrião também contraria a recomendação da ISUOG.
D) Incorreta. A corionicidade está errada e não existe descrição de polidrâmnio no feto maior, elemento necessário para o diagnóstico de síndrome de transfusão feto-fetal.