Pegadinha central: EVALI não é só pulmão; náusea, vômito e diarreia são manifestações reconhecidas.
O diagnóstico não dispensa imagem. História de vaping + infiltrado pulmonar + exclusão de causas alternativas é o raciocínio central.
Corticoide, quando indicado, é sistêmico em casos selecionados; corticoide inalatório em alta dose não é a estratégia padrão.
A banca costuma cobrar gravidade: EVALI pode causar SDRA e necessidade de ventilação mecânica.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
EVALI é a sigla para e-cigarette or vaping product use-associated lung injury, uma síndrome de lesão pulmonar aguda associada ao uso de cigarro eletrônico ou produtos de vaping. O relatório oficial da American Thoracic Society de 2023 descreve um espectro de padrões inflamatórios pulmonares, podendo haver lesão alveolar difusa e insuficiência respiratória grave. Historicamente, o surto foi fortemente associado a produtos contendo THC adulterados com acetato de vitamina E, mas o diagnóstico continua sendo clínico e de exclusão.
O paciente costuma apresentar combinação de sintomas respiratórios, constitucionais e gastrointestinais. Tosse, dispneia e dor torácica podem coexistir com febre, fadiga, náuseas, vômitos, dor abdominal e diarreia. Por isso, sintomas digestivos não afastam o diagnóstico e podem preceder a piora respiratória.
A avaliação exige história detalhada de vaping e imagem pulmonar. A orientação clínica do CDC para EVALI inclui radiografia de tórax na investigação de casos suspeitos, e a tomografia pode ser necessária quando a radiografia não explica a gravidade ou quando há dúvida diagnóstica. Como não existe um biomarcador específico, é necessário excluir causas alternativas, especialmente infecção.
Casos graves podem progredir para síndrome do desconforto respiratório agudo, hipoxemia intensa e necessidade de ventilação mecânica invasiva. Corticoide sistêmico pode ser considerado em pacientes selecionados, particularmente graves, depois de ponderar diagnósticos infecciosos; corticoide inalatório em dose alta não é tratamento de resgate padronizado para EVALI refratária.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Corticosteroide inalatório em dose alta não constitui tratamento padrão para EVALI refratária. Quando corticoide é utilizado em doença moderada ou grave, a experiência clínica envolve principalmente corticosteroide sistêmico, após avaliação cuidadosa de infecção e outros diagnósticos.
B) Incorreta. Náusea, vômito e diarreia fazem parte do espectro clínico descrito e são suficientemente frequentes para que sintomas gastrointestinais sejam uma pista relevante em usuários de vaping com doença sistêmica.
C) Incorreta. Embora o diagnóstico seja clínico e de exclusão, exames de imagem são parte central da investigação. Radiografia de tórax é recomendada em casos suspeitos, e a tomografia pode demonstrar alterações mesmo quando o quadro radiográfico é pouco expressivo.
D) Correta (gabarito). EVALI pode evoluir para lesão pulmonar extensa, hipoxemia e insuficiência respiratória aguda, exigindo internação em terapia intensiva e ventilação mecânica em casos graves.