Infecções de vias aéreas superiores

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Questão 14
HCPA · 2026

Pré-escolar de 5 anos, previamente hígida, foi trazida à consulta por apresentar, há 3 dias, secreção nasal inicialmente hialina e, há 1 dia, espessa e esbranquiçada. A febre associada, de até de 37,8o C, foi controlada com antitérmicos. À oroscopia, constataram-se leve hiperemia faríngea e gota pós-nasal; à rinoscopia, edema e hiperemia de mucosa, além de secreção turva e espessa bilateralmente.

Com esses dados clínicos, qual o diagnóstico mais provável?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O quadro é de rinossinusite aguda viral, equivalente ao resfriado comum. O EPOS 2020 utiliza a evolução temporal como principal discriminador: rinossinusite viral tende a durar menos de 10 dias; a forma pós-viral é sugerida quando os sintomas pioram depois do quinto dia ou persistem por mais de 10 dias. A criança tem apenas 3 dias de sintomas, sem piora bifásica e sem febre alta.

A mudança da secreção nasal de hialina para espessa, turva ou esbranquiçada durante os primeiros dias não demonstra infecção bacteriana. Em viroses, recrutamento de neutrófilos, aumento de proteínas e redução do conteúdo de água tornam a secreção mais espessa e alteram sua cor. A banca usa esse detalhe para induzir antibiótico ou diagnóstico bacteriano precoce.

Na prática pediátrica, a suspeita de rinossinusite bacteriana aumenta diante de sintomas persistentes sem melhora por mais de 10 dias, piora após melhora inicial ou apresentação grave, classicamente com febre de pelo menos 39 °C acompanhada de secreção purulenta por vários dias. Nenhum desses padrões está presente.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Secreção espessa isoladamente no terceiro dia não define infecção bacteriana. Faltam persistência maior que 10 dias, piora bifásica ou início grave com febre alta e secreção purulenta sustentada.

B) Correta (gabarito). Três dias de rinorreia, obstrução nasal, discreta hiperemia faríngea, gota pós-nasal e febre baixa compõem o curso típico de infecção viral de vias aéreas superiores com rinossinusite aguda viral.

C) Incorreta. Rinossinusite pós-viral exige evolução mais longa ou mudança do padrão clínico, especialmente piora após o quinto dia ou persistência acima de 10 dias. O caso está ainda no início da doença.

D) Incorreta. Rinite alérgica costuma produzir rinorreia aquosa, espirros, prurido nasal ou ocular e congestão recorrente, sem síndrome febril infecciosa típica. A secreção espessa após alguns dias de quadro agudo não caracteriza complicação alérgica.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: secreção verde, amarela ou espessa não é sinônimo de bactéria. O tempo e a trajetória dos sintomas valem mais que a cor.

  • Viral: menos de 10 dias sem piora. Pós-viral: piora depois do quinto dia ou persiste além de 10 dias.

  • A banca repete três portas de entrada para pensar em bactéria: persistência, piora bifásica e início grave.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Infecções de vias aéreas superiores” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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