Menino de 3 anos foi transportado até a UPA por ter apresentado episódio convulsivo, tônico-clônico, generalizado, em sua escola. A crise havia ocorrido há 1 hora e, segundo a professora, não durara mais de 4 minutos. O paciente, previamente hígido, apresentava desenvolvimento neuromotor normal. Ao exame físico admissional, estava febril, levemente taquicárdico, mas eupneico. Respondia adequadamente aos comandos verbais. O restante do exame físico não evidenciou alterações.
Pegadinha central: crise febril simples que já terminou não recebe benzodiazepínico retrospectivamente; medicação de resgate é para crise em atividade, especialmente após 5 minutos.
Decore o trio: generalizada, menor que 15 minutos e única em 24 horas.
Convulsão febril simples não pede EEG, tomografia, ressonância nem anticonvulsivante contínuo de rotina.
A banca costuma trocar o foco: mais importante que investigar a crise é procurar a causa da febre e excluir sinais de infecção do sistema nervoso central quando clinicamente indicados.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
O episódio preenche os critérios de convulsão febril simples: criança entre 6 meses e 5 anos, previamente hígida e com desenvolvimento normal, crise generalizada, duração inferior a 15 minutos, episódio único no intervalo de 24 horas e recuperação neurológica completa. O diagnóstico pressupõe febre sem evidência de infecção do sistema nervoso central, distúrbio metabólico agudo ou história prévia de crise afebril.
O ponto de conduta que a banca explora é separar uma crise já encerrada de uma crise em atividade. Benzodiazepínico é tratamento de resgate para crise convulsiva prolongada, em geral quando ultrapassa 5 minutos, porque a chance de cessação espontânea diminui. Neste caso, a crise durou menos de 4 minutos e terminou há 1 hora, portanto não há indicação de diazepam ou midazolam naquele momento.
Na convulsão febril simples, a avaliação é dirigida à causa da febre. Eletroencefalograma, neuroimagem e anticonvulsivante profilático contínuo não são indicados de rotina em criança neurologicamente normal. A recorrência de outra convulsão febril ao longo da infância pode ocorrer, mas isso não transforma o quadro em epilepsia e não justifica expor a criança aos efeitos adversos de tratamento anticonvulsivante crônico.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Diazepam intravenoso ou midazolam por via não intravenosa seriam apropriados se a criança ainda estivesse convulsionando, especialmente em uma crise com duração superior a 5 minutos. A crise cessou espontaneamente há 1 hora, e administrar benzodiazepínico agora acrescentaria sedação e risco respiratório sem benefício anticonvulsivante imediato.
B) Incorreta. O diagnóstico de convulsão febril simples está correto, mas a proposta de eletroencefalograma de rotina torna a alternativa errada. Em criança com desenvolvimento e exame neurológico normais, o EEG após uma convulsão febril simples não prediz de forma útil recorrência nem deve ser solicitado apenas por esse episódio.
C) Incorreta. A idade de 3 anos está dentro da faixa típica de convulsão febril, e o risco de recorrência não justifica anticonvulsivante profilático contínuo. O balanço entre benefício e efeitos adversos é desfavorável para profilaxia medicamentosa após crise febril simples.
D) Correta (gabarito). A orientação à família deve enfatizar que a convulsão febril simples tem evolução habitualmente benigna e prognóstico neurológico favorável. Também se deve ensinar como posicionar a criança com segurança durante nova crise, não colocar objetos na boca e procurar atendimento se a crise durar mais de 5 minutos ou houver sinais de alarme.