Menino de 2 anos foi hospitalizado por febre alta, mau estado geral, taquicardia e dispneia rapidamente progressiva. Ao exame físico, foram observadas petéquias difusas no tórax, no dorso e no abdômen, com sufusões hemorrágicas maiores nos membros inferiores do que nos superiores. O paciente evoluiu rapidamente com choque séptico, disfunção multiorgânica e coagulação intravascular disseminada. Havia relato de que outra criança da mesma escola também apresentara febre, sufusões similares nas pernas e se encontrava hospitalizada em UTI pediátrica.
Pegadinha central: púrpura + choque + CIVD = meningococcemia fulminante, a forma de pior prognóstico; meningite associada não torna a doença benigna, mas o fenótipo septicêmico isolado é mais letal.
Suspeitou de doença meningocócica invasiva: antibiótico imediato com ceftriaxona ou cefotaxima, sem esperar cultura ou PCR.
Isolamento é por gotículas e dura até 24 horas após início de terapia efetiva; pressão negativa é para doenças de transmissão aérea, não para meningococo.
Profilaxia é para contato de risco, não para contato casual. A banca repete muito essa diferença e também troca deliberadamente as durações dos esquemas.
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Contexto
Febre alta, petéquias e sufusões hemorrágicas de progressão rápida, choque, disfunção multiorgânica e coagulação intravascular disseminada definem um quadro de meningococcemia fulminante por Neisseria meningitidis. A endotoxina meningocócica desencadeia resposta inflamatória intensa, ativação endotelial e da coagulação, aumento da permeabilidade vascular e consumo de fatores, produzindo púrpura fulminante, choque distributivo e coagulopatia.
O Manual do CDC para doença meningocócica, atualizado em 2024, estima letalidade global da doença invasiva em aproximadamente 10% a 15%, podendo chegar a 40% na meningococcemia. Esse contraste explica o gabarito: a apresentação septicêmica fulminante, sobretudo bacteremia sem meningite, tem prognóstico pior do que o fenótipo em que há meningite. A meningite não é protetora; ela apenas identifica, em média, uma forma clínica com letalidade inferior à meningococcemia fulminante isolada.
O tratamento deve ser iniciado imediatamente, sem aguardar confirmação laboratorial, com cefalosporina de terceira geração, como ceftriaxona ou cefotaxima. A precaução é por gotículas, não por aerossóis, e pode ser suspensa após 24 horas de terapia antimicrobiana efetiva. Quimioprofilaxia é indicada para contatos próximos e pessoas com exposição direta a secreções orais ou respiratórias, não para todos os indivíduos que estiveram no mesmo hospital ou escola.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Doença meningocócica exige precaução por gotículas, e quarto com pressão negativa não é necessário porque o mecanismo relevante não é transmissão aérea de longa distância. A precaução pode ser encerrada após 24 horas de antibioticoterapia eficaz, não após 5 dias.
B) Incorreta. Cefepima e meropenem têm atividade contra diversos gram-negativos e podem ser necessários em outros contextos de sepse, mas não são a primeira escolha dirigida para meningococo comunitário. A terapia empírica recomendada para suspeita de doença meningocócica inclui ceftriaxona ou cefotaxima.
C) Incorreta. A profilaxia não é oferecida indiscriminadamente a todos os contatos hospitalares e escolares. Ela é reservada a contatos próximos ou pessoas diretamente expostas a secreções. Além disso, a duração proposta de 4 dias está errada para os esquemas usuais: rifampicina é administrada por 2 dias, enquanto ceftriaxona e ciprofloxacino podem ser usados em dose única nas situações apropriadas.
D) Correta (gabarito). A meningococcemia fulminante é a apresentação de maior letalidade. Em comparação, pacientes com doença meningocócica manifestada como meningite ou com meningite associada têm, em média, menor letalidade do que aqueles com septicemia fulminante sem meningite. O dado descreve diferenças prognósticas entre fenótipos, não um efeito protetor da meningite.