Icterícia obstrutiva e tumores das vias biliares

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 47
INEP · 2023

Uma paciente com 40 anos, índice de massa corpórea de 38 kg/m2, com história de colelitíase sintomática há 2 anos, apresenta-se para cirurgia de colecistectomia videolaparoscópica. Os resultados de seus exames laboratoriais são normais e a ultrassonografia de abdome mostra múltiplos cálculos em vesícula biliar. É realizada a operação, descrita como tecnicamente difícil em razão da obesidade e das aderências inflamatórias no leito vesicular. A paciente foi encaminhada à enfermaria, acordada e sem queixas. Foram reiniciadas dieta e deambulação nas primeiras 24 horas de pós-operatório. Após 36 horas de pós-operatório, apresentou pico febril de 39 °C, dor abdominal e discreta icterícia. Novos exames laboratoriais mostraram leucograma de 20.500 leucócitos com 8% bastões, bilirrubina direta 2,0 mg/dL, bilirrubina indireta 1,0 mg/dL, aspartatoaminotransferase 60 U/L, alanina aminotransferase 80 U/L, fosfatase alcalina 230 U/L e gamaglutamiltransferase 450 U/L. A paciente evoluiu, em 4 horas, com hipotensão, prostração e queda do estado geral.

Acerca desse quadro clínico, assinale a opção correta.
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Febre alta, dor abdominal, icterícia, padrão laboratorial colestático e rápida deterioração hemodinâmica 36 horas após colecistectomia tecnicamente difícil sugerem complicação biliar até prova em contrário. As possibilidades incluem vazamento de bile, clipagem ou secção da via biliar principal, obstrução e coleção infectada. A ausência de recuperação pós-operatória esperada é um sinal de alerta, e a evolução para hipotensão indica sepse com necessidade de ressuscitação e controle de foco.

As Diretrizes WSES 2020 para lesão de via biliar recomendam reconhecimento precoce, comunicação transparente e manejo em centro com experiência hepatobiliopancreática. Exames de imagem devem definir coleções, dilatação e anatomia biliar; tomografia costuma ser útil para avaliar complicações abdominais, enquanto a colangiorressonância fornece mapeamento não invasivo detalhado. Drenagem percutânea, colangiopancreatografia endoscópica, drenagem biliar e reconstrução cirúrgica são escolhidas conforme tipo e extensão da lesão. Reparos improvisados por equipe sem experiência aumentam estenose, colangite e falha tardia.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. A lesão biliar não é menos incidente apenas porque a operação é laparoscópica; historicamente, seu risco foi maior na laparoscopia do que na cirurgia aberta. Além disso, icterícia e colestase após dissecção difícil apontam para foco biliar, não pulmonar.

B) Incorreta. Obesidade não torna a colecistectomia aberta obrigatória. Antibiótico e drenagem de uma coleção podem integrar o controle inicial, mas não substituem a definição anatômica nem o tratamento especializado de uma lesão maior.

C) Incorreta. Transferência e suporte intensivo são adequados, mas simplesmente aguardar o processo esfriar, sem investigação rápida, ressuscitação e controle do foco, é perigoso em paciente instável.

D) Correta (gabarito). A suspeita deve ser comunicada, a sepse estabilizada e a paciente transferida para centro com terapia intensiva, equipe especializada e métodos capazes de mapear a via biliar, como a colangiorressonância.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: febre, dor e icterícia logo após colecistectomia difícil significam complicação biliar até prova em contrário.

  • O melhor desfecho ocorre quando lesões maiores são tratadas por equipe hepatobiliopancreática experiente.

  • Drenar uma coleção controla parte do foco, mas não corrige automaticamente transecção ou obstrução da via principal.

  • Instabilidade exige ressuscitação e controle de foco enquanto se organiza a transferência, não espera passiva.

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Bia
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