Um paciente com 42 anos, assintomático, compareceu, pela primeira vez, a uma unidade básica de saúde (UBS), mencionando à médica de família e comunidade que ele havia se mudado recentemente para área de atuação da UBS. Na consulta, ele traz relatório médico do centro de atenção psicossocial (CAPS), informando o diagnóstico de esquizofrenia há 7 anos, sem crise nos últimos 3 anos, e uso de psicofármacos. O paciente relata que não usa outras medicações e que, há 1 mês, fez exames laboratoriais cujos resultados foram: glicemia de jejum: 189 mg/dL; colesterol total: 225 mg/dL; colesterol-HDL: 35 mg/dL; colesterol-LDL: 168 mg/dL. Por fim, queixa-se de ter começado a engordar desde o diagnóstico de esquizofrenia (índice de massa corporal atual: 36,2 kg/m2) e solicita a renovação da receita dos psicofármacos de que faz uso.
Pegadinha central: estabilidade psiquiátrica não autoriza ignorar o metabolismo, e alteração metabólica não autoriza suspender antipsicótico abruptamente.
Glicemia de jejum de 189 mg/dL sugere diabetes, mas em assintomático deve ser confirmada.
APS e CAPS compartilham o cuidado, em vez de empurrar o paciente entre serviços.
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Contexto
O paciente está psiquiatricamente estável há três anos. Interromper psicofármacos por barreira administrativa aumenta risco de recaída, internação e perda funcional. A atenção primária deve garantir continuidade da prescrição dentro de sua competência e articular o retorno ao CAPS, mantendo responsabilidade compartilhada pelo cuidado.
O IMC de 36,2 kg/m2, glicemia de jejum de 189 mg/dL, LDL de 168 mg/dL e HDL baixo mostram alto risco cardiometabólico, frequentemente agravado por antipsicóticos de segunda geração. Em pessoa assintomática, a glicemia diagnóstica deve ser confirmada em nova amostra ou por outro teste, como hemoglobina glicada, mas medidas terapêuticas e investigação não devem ser adiadas.
O seguimento inclui pressão, peso, circunferência abdominal, glicemia ou hemoglobina glicada, lipídios, hábitos, tabagismo e efeitos adversos. A equipe multiprofissional da APS, atualmente organizada em eMulti em muitos territórios, deve trabalhar com o CAPS. Mudança do antipsicótico só ocorre após ponderar estabilidade psiquiátrica, eficácia e risco metabólico.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Negar renovação abruptamente rompe tratamento eficaz e pode precipitar psicose. A avaliação psiquiátrica deve ser organizada sem suspender a medicação.
B) Incorreta. A receita deve ser renovada, mas sulfonilureia isolada não é escolha automática. É necessário confirmar o diabetes, avaliar função renal, risco de hipoglicemia e selecionar tratamento individualizado.
C) Correta (gabarito). A conduta integra continuidade do psicofármaco, cuidado multiprofissional e início imediato da avaliação e do controle metabólico na APS, articulados com o CAPS.
D) Incorreta. Encaminhar apenas para renovar receita fragmenta o cuidado. Nutrição e endocrinologia podem ajudar, mas a APS pode iniciar a abordagem e coordenar os encaminhamentos necessários.