Um homem com 38 anos foi encaminhado ao ambulatório de referência em infectologia do seu município devido a episódios de cefaleia, confusão mental e febre (até 38,5 °C) ocorridos há cerca de uma semana, tendo havido perda de peso no último mês (peso habitual = 70 kg). Ele relata que, no dia anterior, iniciou com rebaixamento do nível de consciência, encontrando-se letárgico no momento da consulta. Nega tosse ou diarreia. Os familiares contam que o paciente é tabagista e que faz consumo excessivo de bebida alcoólica. Os exames iniciais mostraram leucócitos: 3.200/mm3, com 69% de neutrófilos, 21% de linfócitos e 10% de eosinófilos; anemia hipocrômica, microcítica, com anisocitose; plaquetas normais; velocidade de hemossedimentação: 120 mm na 1a hora; ureia, creatinina, TGO/AST, TGP/ALT, eletrólitos normais. Foi realizada a análise do líquido cefalorraquidiano (LCR), que mostrou 200 leucócitos/mm3, com 78% de linfócitos, níveis elevados de proteína, baixos níveis de glicose e tinta nanquim negativa.
Pegadinha central: líquor linfocitário com glicose baixa não é padrão viral; pense em tuberculose e fungos.
Tinta nanquim negativa não exclui criptococo; antígeno criptocócico é mais sensível.
Na suspeita de neurotuberculose, solicite teste molecular, cultura e neuroimagem, sem depender de um único exame.
Hidrocefalia, vasculite e pares cranianos são complicações de alto rendimento da meningite tuberculosa.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
A evolução subaguda por cerca de uma semana, com cefaleia, febre, perda ponderal, confusão e progressão para letargia, sugere meningite crônica ou subaguda. O líquido cefalorraquidiano apresenta 200 células por mm3 com predomínio linfocitário, proteína elevada e glicose baixa, combinação típica de meningite tuberculosa. O processo inflamatório costuma concentrar-se nas cisternas basais, podendo causar hidrocefalia, vasculite, infartos e comprometimento de pares cranianos.
O diagnóstico deve combinar análise do líquor, neuroimagem e pesquisa microbiológica. Recomendações da OMS incluem teste molecular no líquor, preferencialmente Xpert MTB/RIF ou Xpert Ultra quando disponível, além de baciloscopia e cultura. O rendimento aumenta com maior volume de líquor e processamento rápido. Um teste molecular negativo não exclui a doença quando a probabilidade clínica é alta.
Tinta nanquim negativa reduz a evidência de criptococose, mas não a exclui, pois sua sensibilidade é limitada, especialmente com baixa carga fúngica. O antígeno criptocócico no líquor é mais sensível. Também deve ser oferecido teste para HIV, porque tuberculose e criptococose do sistema nervoso central são mais frequentes na imunossupressão.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Curso subagudo, emagrecimento e líquor linfocitário com proteína alta e glicose baixa compõem o padrão mais pertinente de meningite tuberculosa.
B) Incorreta. Meningite bacteriana piogênica costuma ter instalação mais abrupta, predomínio neutrofílico e maior toxicidade sistêmica. Casos parcialmente tratados podem alterar o padrão, mas não são a hipótese que melhor integra o quadro.
C) Incorreta. Neurocriptococose permanece diagnóstico diferencial, sobretudo em pessoas com HIV, mas a tinta nanquim negativa e a ausência de informação sobre antígeno criptocócico tornam a meningite tuberculosa mais compatível com o conjunto apresentado.
D) Incorreta. Meningite viral geralmente preserva a glicose do líquor e causa elevação proteica mais discreta, além de evolução frequentemente menos progressiva.