Um paciente de 16 anos, vítima de acidente automobilístico, chega ao pronto-socorro com escoriação extensa em parede torácica anterior, murmúrio vesicular fisiológico e simétrico, bulhas cardíacas hipofonéticas, frequência cardíaca de 48 batimentos por minuto, pressão arterial de 80 × 40 mmHg e turgência bilateral de jugulares. O paciente sofre uma parada cardiorrespiratória logo após a admissão.
Pegadinha central: parada traumática exige tratar a causa reversível, não apenas seguir a sequência da parada clínica.
No hemopericárdio traumático, toracotomia é mais definitiva que pericardiocentese.
A toracotomia de ressuscitação tem indicação muito mais forte no trauma penetrante que no contuso.
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Contexto
A questão foi anulada no gabarito oficial. Antes da parada, o paciente apresentava hipotensão, turgência jugular e bulhas hipofonéticas, conjunto compatível com tamponamento cardíaco traumático. Em seguida, evoluiu para parada cardiorrespiratória, situação em que o tratamento das causas reversíveis deve ocorrer imediatamente.
Diretrizes modernas de parada traumática priorizam controle de hemorragia, oxigenação, descompressão torácica bilateral e alívio do tamponamento. Sangue traumático no pericárdio frequentemente coagula, tornando a pericardiocentese pouco eficaz e apenas uma ponte quando a abertura cirúrgica não está disponível. A toracotomia de ressuscitação permite abrir o pericárdio, remover coágulos, controlar lesão cardíaca e realizar massagem interna, mas seu benefício é muito maior no trauma penetrante e é restrito no trauma contuso a pacientes altamente selecionados com sinais de vida e parada presenciada.
A anulação é justificável porque o enunciado sugere tamponamento, mas não informa recursos, tempo de parada nem critério de seleção para toracotomia. Além disso, a toracostomia bilateral integra muitos algoritmos de parada traumática mesmo quando o exame pulmonar não demonstra pneumotórax de forma evidente.
Alternativa por alternativa
A) Defensável, mas sem gabarito oficial. Em paciente selecionado com parada traumática presenciada e forte suspeita de tamponamento, toracotomia de ressuscitação é o tratamento definitivo, pois permite pericardiotomia e correção da causa.
B) Incorreta como medida isolada. Compressões externas podem ser iniciadas, mas têm baixa eficácia quando o coração está mecanicamente comprimido. A prioridade é corrigir rapidamente as causas reversíveis do trauma.
C) Também defensável no algoritmo geral, mas sem gabarito oficial. Toracostomias bilaterais tratam pneumotórax hipertensivo oculto e são realizadas de forma empírica em muitos protocolos de parada traumática. Elas não resolvem o tamponamento sugerido pela tríade de Beck.
D) Incorreta como tratamento definitivo. Pericardiocentese pode ser ponte quando não há opção cirúrgica imediata, mas frequentemente falha no hemopericárdio coagulado do trauma e não permite reparar a lesão.