Hérnias da parede abdominal

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 57
INEP · 2023

Uma paciente de 35 anos possui hérnia incisional em cicatriz mediana infraumbilical de moderado volume, decorrente de apendicectomia realizada há 10 anos, e colo herniário de cerca de 15 × 7 cm. Ela apresenta índice de massa corporal de 37 kg/m2 e nega sintomas álgicos, tabagismo, etilismo e outras comorbidades.

Em relação ao manejo pré-operatório dessa paciente, a conduta médica adequada, neste momento, é
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A hérnia incisional é volumosa e a paciente tem obesidade grau II, com IMC de 37 kg/m2. Obesidade aumenta infecção do sítio cirúrgico, seroma, dificuldade de fechamento, complicações respiratórias e recorrência. A diretriz da European Hernia Society de 2023 recomenda otimização pré-operatória, incluindo redução ponderal, controle glicêmico, cessação do tabagismo e melhora da aptidão física.

Não existe um percentual universal de perda de peso que determine segurança. A meta deve ser individualizada, evitando adiamento indefinido quando a hérnia produz sintomas importantes ou progride. Nesta paciente assintomática e sem sinais de encarceramento, há tempo para abordagem multidisciplinar com nutrição, atividade física, clínica da obesidade e eventual avaliação bariátrica.

O colo de 15 por 7 cm é largo. Hérnias de colo largo podem ter menor risco de estrangulamento que defeitos estreitos, embora nenhuma hérnia seja isenta de complicações. Imagem pode ser usada posteriormente para planejamento de defeitos complexos, preferindo-se tomografia para avaliar volume, conteúdo, musculatura e possibilidade de fechamento.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Observação pode ser discutida em pacientes pouco sintomáticos, mas cinta não corrige o defeito nem reduz comprovadamente a recorrência futura. A questão pergunta manejo pré-operatório, e a prioridade é reduzir risco cirúrgico.

B) Incorreta. Não há dor, obstrução, irredutibilidade ou isquemia que exijam cirurgia imediata. Operar com IMC 37 sem otimização aumenta complicações evitáveis.

C) Correta (gabarito). Tratamento multidisciplinar para perda ponderal e condicionamento antes do planejamento definitivo melhora a segurança e a durabilidade da correção eletiva.

D) Incorreta. O diagnóstico já é clínico. Se for necessária imagem para planejamento de uma hérnia grande, a tomografia fornece mais informações que a ultrassonografia, mas não substitui a otimização inicial.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: hérnia grande não significa cirurgia imediata quando é assintomática e sem encarceramento.

  • Obesidade é fator modificável de infecção e recidiva após hernioplastia.

  • Para planejamento complexo, tomografia costuma ser superior ao ultrassom.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Hérnias da parede abdominal” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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