Diabetes mellitus tipo 1 na criança

RevalidaComentada pelo MedBoard
Questão 33
INEP · 2023

Um escolar com 8 anos, acompanhado da mãe, chega à unidade básica de saúde com queixa de estar muito cansado e sonolento. A mãe refere que, há aproximadamente 20 dias, ele vem perdendo peso (cerca de 5 kg). Ela relata ainda que o filho, embora tenha controle esfincteriano noturno desde os 5 anos, tem agora apresentado enurese noturna, desde o início do quadro. Conta também que, no mesmo período, passou a demonstrar apetite exagerado e que, há 5 dias, começou a apresentar dor abdominal de moderada intensidade, sem localização específica, intermitente, associada a náuseas e vômitos (1 vez ao dia). Ao exame físico, a criança se apresenta em regular estado geral, hipocorado (+1/+4), afebril, acianótico, mucosas secas, hipoativo, fácies de dor, normotenso. À ausculta pulmonar, não há ruídos adventícios; frequência respiratória de 50 incursões respiratórias por minuto, com movimentos respiratórios amplos; ausculta cardíaca sem alterações, frequência cardíaca de 90 batimentos por minuto; abdome doloroso à palpação profunda, com ruídos hidroaéreos presentes, sem massas ou visceromegalias.

Após o manejo inicial, qual das opções a seguir apresenta o seguimento a longo prazo adequado para essa doença?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Polifagia, perda ponderal, retorno da enurese, desidratação, dor abdominal, vômitos e respiração profunda e rápida de Kussmaul indicam diabetes mellitus tipo 1 com cetoacidose diabética. A deficiência absoluta de insulina provoca hiperglicemia, diurese osmótica, lipólise e produção de corpos cetônicos, gerando acidose metabólica compensada pela hiperventilação.

Após a estabilização da cetoacidose, o tratamento do diabetes tipo 1 é permanente e exige insulina basal e prandial, monitorização glicêmica, contagem de carboidratos, educação para hipoglicemia e cetose e acompanhamento do crescimento. Tecnologias como sensor contínuo e bomba podem melhorar o controle quando disponíveis.

A família é parte central do tratamento pediátrico. Escola e cuidadores precisam reconhecer hipoglicemia, administrar glucagon e permitir insulina e alimentação. O período de lua de mel pode reduzir temporariamente a necessidade de insulina por meses, mas não significa cura e não permite sua suspensão completa sem supervisão.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). Trata-se de doença crônica que exige insulina, educação e apoio familiar contínuo para prevenir novas cetoacidoses e complicações microvasculares.

B) Incorreta. Desmopressina e alarme tratam enurese noturna primária. Aqui a enurese é secundária à poliúria osmótica da hiperglicemia.

C) Incorreta. A lua de mel costuma durar semanas ou meses, ocasionalmente mais, e apenas reduz a dose necessária. A destruição autoimune progride e a reposição de insulina permanece indispensável.

D) Incorreta. Alimentação e exercício são pilares, mas não substituem insulina na deficiência absoluta do diabetes tipo 1.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: enurese que reaparece após controle esfincteriano pode ser poliúria do diabetes.

  • Kussmaul é respiração profunda por acidose, não doença pulmonar primária.

  • Lua de mel reduz a dose, mas não cura o diabetes tipo 1.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Diabetes mellitus tipo 1 na criança” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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