Um homem de 53 anos foi submetido à laparotomia de emergência devido à diverticulite perfurada e, em seu caso, realizadas sigmoidectomia com colostomia a Hartmann, há 7 dias. Desde o segundo dia de pós-operatório, o paciente apresenta febre intermitente de 39 °C e não consegue se alimentar em razão de distensão abdominal persistente. Ele não apresenta outras queixas. Ao exame físico, apresenta temperatura de 38,9 °C; frequência respiratória de 22 incursões respiratórias por minuto; frequência cardíaca de 114 batimentos por minuto; pressão arterial de 110 × 70 mmHg; pele quente e úmida; pulmões com murmúrios vesiculares pouco diminuídos em bases, sem ruídos adventícios; ritmo cardíaco regular, com bulhas normofonéticas, sem sopros; abdome distendido, ruídos hidroaéreos diminuídos, hipertimpânico, doloroso à palpação profunda difusamente; ferida operatória limpa e seca, sem sinais flogísticos; colostomia com bom aspecto; e sinal de Giordano negativo. O paciente está usando ciprofloxacino e metronidazol endovenosos. Hemograma: leucócitos 21 500 mm3 (valor de referência: 4 500 a 11 000 mm3), 4% de bastões (VR: 0%).
Pegadinha central: febre mais íleo persistente após cirurgia colorretal pede busca de coleção abdominal, não atribuição automática a atelectasia.
Abscesso exige antibiótico e, frequentemente, controle de fonte.
Ferida operatória normal não exclui infecção profunda.
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Contexto
No sétimo dia após operação por diverticulite perfurada, febre alta persistente, taquicardia, leucocitose, dor abdominal difusa, distensão e íleo prolongado sugerem infecção intra-abdominal com coleção ou abscesso. Outras possibilidades incluem deiscência do coto retal, peritonite residual ou foco não controlado.
A tomografia de abdome e pelve, preferencialmente com contraste intravenoso quando não houver contraindicação, é o exame mais útil para localizar gás ou líquido extraluminal, coleções, alterações do coto, obstrução e outros focos. Os critérios de adequação do American College of Radiology consideram a TC com contraste exame apropriado no paciente pós-operatório com dor abdominal não localizada e febre.
Antibiótico isolado não resolve abscesso relevante. Se a TC demonstrar coleção drenável ou falha de controle do foco, será necessário controle de fonte por drenagem percutânea ou reoperação, conforme anatomia e estabilidade.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Hipoventilação basal pode ocorrer no pós-operatório, mas não há tosse, expectoração, crepitações ou outro achado que explique febre de 39 °C, leucocitose e íleo persistente. Radiografia de tórax pode integrar a avaliação, mas não é o exame principal.
B) Incorreta. Infecção urinária é possível em pacientes sondados, porém faltam sintomas urinários ou sinais de pielonefrite. Urina e urocultura não localizam a causa abdominal mais provável.
C) Incorreta. Sepse exige infecção associada a disfunção orgânica, que não foi demonstrada apenas por febre, taquicardia e leucocitose. Culturas podem ser colhidas, mas cultura de uma ferida limpa e seca tem baixo rendimento e não substitui a imagem para localizar o foco.
D) Correta (gabarito). O cenário pós-operatório abdominal, com febre persistente e íleo, torna infecção intra-abdominal a principal hipótese. A TC de abdome e pelve identifica o foco e orienta drenagem ou reintervenção.