O nascimento prematuro continua sendo a principal causa de mortalidade e morbidade perinatais, sendo responsável por até dois terços das mortes neonatais e por déficits físicos, mentais e do desenvolvimento de longo prazo. Nos últimos trinta anos, os avanços foram significativos nos cuidados neonatais e na redução da mortalidade infantil na prematuridade, porém as morbidades e as consequências em longo prazo permanecem.
Pegadinha central: gestante com bacteriúria assintomática é tratada mesmo sem disúria ou febre.
O diagnóstico deve ser confirmado por urocultura; contaminação de amostra não deve gerar antibiótico automático.
Progesterona previne prematuridade em grupos selecionados, não em toda gestante.
Nifedipina é tocolítico possível e sua principal limitação clínica é hipotensão materna.
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Contexto
Bacteriúria assintomática é crescimento bacteriano significativo na urina sem sintomas urinários. Na gestação, constitui uma das principais exceções à regra de não tratar bacteriúria assintomática, pois aumenta o risco de pielonefrite e associa-se a baixo peso e prematuridade. O consenso ACOG 2023 recomenda tratar contagem de pelo menos 100.000 unidades formadoras de colônia por mililitro com antibiótico dirigido por cultura, em geral por 5 a 7 dias.
A prevenção do parto prematuro é individualizada. Progesterona não é oferecida universalmente; suas indicações concentram-se em cenários como colo uterino curto em gestação única e antecedentes obstétricos selecionados, conforme a diretriz adotada. Para tocólise de curto prazo, a nifedipina, um bloqueador de canal de cálcio, é opção frequente quando não há contraindicação, apesar de poder causar hipotensão. A finalidade da tocólise é ganhar tempo para corticosteroide antenatal, sulfato de magnésio quando indicado e transferência, não prolongar indefinidamente a gestação.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Progesterona não previne prematuridade em todas as gestantes. O benefício depende do perfil de risco, especialmente comprimento cervical e história obstétrica.
B) Incorreta. Estágio de risco elevado na classificação de Hobel não corresponde a simples acompanhamento ambulatorial habitual. Exige avaliação especializada e intensificação da vigilância, podendo requerer internação conforme o quadro.
C) Correta (gabarito). Bacteriúria assintomática confirmada na gestação deve ser tratada, pois o tratamento reduz pielonefrite e busca diminuir desfechos obstétricos adversos.
D) Incorreta. Nifedipina pode ser utilizada como tocolítico. Hipotensão é efeito adverso que exige seleção e monitorização, não proibição absoluta da classe.