Um paciente com 68 anos, branco, previamente hígido, é atendido em consulta agendada na atenção primária, com diagnóstico recente de hipertensão arterial estágio 2, sem comorbidades. Seus exames físico e laboratoriais não mostram lesões de órgãos-alvo. O paciente relata não fazer uso de medicamentos e foi classificado como portador de fragilidade leve pela escala de fragilidade clínica, apresentando risco cardiovascular baixo pelo escore global de risco. No projeto terapêutico para esse paciente, além da mudança de estilo de vida, incluem-se terapêutica medicamentosa e metas da pressão arterial (PA) e de seguimento mais adequadas.
Pegadinha central: estágio 2 não espera meses de mudança de estilo de vida antes de medicar.
Combinação inicial preferida: IECA ou BRA mais bloqueador de canal de cálcio ou tiazídico.
Fragilidade modifica a meta, mas fragilidade leve não significa tratar pouco.
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Contexto
A questão foi anulada no gabarito oficial. Hipertensão estágio 2 exige tratamento medicamentoso desde o diagnóstico, associado a mudanças de estilo de vida, mesmo com risco cardiovascular inicialmente baixo. A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025 recomenda, para a maioria, combinação inicial de duas classes em baixa dose, preferencialmente em comprimido único, como IECA ou BRA associado a bloqueador de canal de cálcio ou diurético tiazídico.
O paciente tem 68 anos e fragilidade apenas leve, o que não equivale a fragilidade moderada ou grave. A meta deve considerar tolerância, ortostase, função renal, quedas e preferência. Em idosos funcionalmente preservados, busca-se controle mais intensivo quando tolerado; fragilidade relevante pode justificar meta menos rígida.
A reavaliação deve ocorrer em cerca de quatro semanas após início ou ajuste, verificando adesão, efeitos adversos, creatinina, potássio e medidas domiciliares. Espironolactona, clonidina e metildopa não são escolhas iniciais usuais; betabloqueador é reservado a indicações como doença coronariana, arritmia ou insuficiência cardíaca.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Medidas não medicamentosas isoladas por três a seis meses são insuficientes para hipertensão estágio 2, que deve receber fármacos imediatamente.
B) É a alternativa mais próxima, mas sem gabarito oficial. Combinação de bloqueador de canal de cálcio com IECA em baixa dose e retorno em 30 dias são adequados. A meta fixa inferior a 140 por 90 mmHg é menos ambiciosa que a recomendação atual para muitos idosos com fragilidade apenas leve, embora possa ser etapa inicial ou meta individualizada.
C) Incorreta. Espironolactona é típica de hipertensão resistente; metildopa e clonidina não são primeira linha no idoso devido a efeitos adversos. Monoterapia também tende a ser insuficiente no estágio 2.
D) Incorreta. Betabloqueador não é primeira escolha sem indicação específica, e consultas anuais são inadequadas logo após início do tratamento.